Rodas, Pneus, Estepes…
Rodas de aço em um Woody Sport - Farina Automóveis

Rodas, Pneus, Estepes…

Rodas, Pneus, Estepes...

Rodas e Pneus

Rodas, pneus, estepes. Este é um dos assuntos mais discutidos e controversos do Planeta Buggy, logo não vamos esgotar por aqui… Coloca tua sugestão ou crítica nos comentários ou lá nas redes sociais do Planeta. Estas páginas nunca estão concluídas e podem ser modificadas ao longo do tempo.

Liga ou Aço?

Em primeiro lugar, vamos analisar os tipos de rodas que encontramos em buggies. Rodas de aço ou de liga leve? Se for um buggy utilizado em trilhas com pedras e locais mais “selvagens”, o Planeta recomenda o uso de rodas de aço, normalmente mais resistentes. Para todos os outros, é questão de opção pessoal. Se tiver um buggy clássico, rodas de aço com calotas pode ser uma pedida interessante. Existem boas opções no mercado, mas atentem para o offset das mesmas.

Nos bugues antigos, o offset das rodas era negativo, o que faz com que a roda fique mais para fora e podem até sair do alinhamento do paralama. Claro que, pelas características mecânicas dos antigos fuscas, este não era um grande problema, já que os semi-eixos eram bem mais curtos naquela época. Com o aparecimento e uso da mecanização da Brasília, que tem o semi-eixo mais longo, o offset utilizado passou a ser neutro e até positivo em alguns modelos. Offset positivo pode fazer com que os pneus raspem em alguma estrutura interna, principalmente se o carro doador for daqueles mais antigos.

É bem comum que, nos buggies mais antigos, pneus mais largos acabem raspando nos paralamas. Há várias soluções para isso, sendo a mais óbvia o recorte dos paralamas. Mas pode ser levantada a suspensão ou a própria carroceria, como pode ser visto nesta página do Planeta.

Atenção – rodas traseiras muito próximas dos paralamas são extremamente perigosas para quem vai sentado ali atrás. O passageiro pode usar a aba do paralama para se apoiar e o pneu pode machucar seriamente a mão dele.

Exemplos

A galeria a seguir mostra alguns exemplos de rodas. O primeiro, um buggy Woody Sport, com rodas de época, que podem receber as calotas cromadas do Fusca (o Velho’73 teve esta fase!) e com offset negativo, como mandava a regra de então. Depois a foto de um Fyber com rodas de liga e offset positivo. Rodas comportadas, dentro dos paralamas. E, por último, um buggy com rodas gauchinhas e offset negativo. Saindo da linha do paralama, com a clássica montagem 14″ e 15″, com o Dune Buggy.

E o tamanho?

Aqui, a coisa complica um pouco. Tradicionalmente, os buggies utilizam rodas de aro 14″ na dianteira e de 15″ na traseira, mas esta regra não é rígida, podendo ser todas as rodas iguais ou até maiores que estas medidas. O que é preciso ter atenção é que, na dianteira, usando a suspensão e caixa de direção originais, não é aconselhável o uso de pneus largos, porque a dirigibilidade do buggy fica comprometida.

Segundo nossos especialistas do Planeta, os mais adequados são:

Nil (CE)– 235×75 15 pra buggy com motor boxer original pra uso na areia. Ideal é o modelo AT (“all terrain” – todo terreno) e pra uso mais offroad o MT (“Maximum Traction” – fora de estrada). 255×75 ou 30×9,5, se for pra buggy com motor AP. Evite a medida 31×10, apesar de ser a mais encontrada no mercado, pois este tipo de pneu força um pouco o câmbio e diminiu a vida útil deste componente.  E, se o motor for muito forte, tende a quebrar o câmbio com mais facilidade. Quanto mais macia a borracha, melhor. Pirelli, Firestone e BFGoodrich são duros. Dunlop e a maioria dos pneus chineses são de borracha mais macia, ideal para secar bem o pneu na areia.

Evilásio (CE) – Nosso inesquecível Bugólatra contribuiu muito com o Planeta, no antigo forum. Sobre tamanho de pneus, ele atestava que o melhor tamanho para o NE era o 235: “Isso mesmo 235 75 R15 vai deixar seu buggy perfeito, sem duvida essa a melhor configuração que existe”.

Farina (RS) – Eu uso direto um pneu AT 31×10,5 R15 da Comforser CF1000. É um pneu chinês, a borracha é muito macia e tem boa aderência na areia e no barro, é meio escorregadio na chuva, mas ai que fica divertido.

Tiago Barba (SP) – Para uso street, o Cooper Cobra é um pneu de borracha mais dura, ele dura mais, mas resseca mais fácil e a aderência não é muito boa. O Hankook é mais comercial, acha mais fácil e tem desenho bonito. O Toyo e Yokohama seguem um pouco a linha do Cooper Cobra. O Kumho eu já vi muitos casos de aparecer bolhas nas laterais, talvez por andar com calibragem mais baixa.

Conclusões sobre tamanhos de rodas e pneus

As opiniões são variadas, quanto ao uso de pneus para dunas. No caso do NE, as dunas são muito firmes, o que permite o uso de pneus mais estreitos, como o 235. Mas, para as dunas do Sul, a medida mais correta é a 255, pois a areia é muito fofa e afunda facilmente (até caminhando à pé!). Daí, o Dune Buggy ser um pneu bem agradável, apesar de não ter “agarradeiras” e ter a tração um pouco prejudicada. Além disso, em trilhas de barro, pneus com garras muito grandes podem até proporcionar melhor tração, mas acabam com a trilha e prejudicam os que vêm depois. E trilheiros devem pensar nos outros, também…

Evidentemente, o gosto (e o bolso) de cada um irá influenciar na escolha, mas é bom estar atento ao uso que se fará do buggy. Não há lógica em usar um pneus off-road em um buggy de passeio ou vice-versa. Mesmo que seja para trilha ou areia, convém saber onde será a maior parte deste tipo de uso. Areia fofa, como o litoral do RS e SC? Areia grossa e pesada, como o entorno da Lagoa dos Patos? Areia firme como as dunas de Fortaleza? Trilhas na região com barro vermelho, como o Norte do Paraná ou areno-argilosa como a Campanha Gaúcha? Cada região tem suas características e nada melhor que conversar com os amigos que já conhecem o espaço. Buggistas sempre gostam de dividir experiências e uma boa conversa poderá te livrar de dores de cabeça futuras.

Com ou sem câmara?

Outro tópico espinhoso e controvertido. No uso em trilhas ou dunas, a pressão utilizada nos pneus é sempre muito baixa. Nesta situação, há duas correntes, uma que diz que tem que estar com câmara, pois o pneu poderia destalonar em uma manobra mais forte, e o pneu arriar imediatamente. Outra, afirma que, justamente por estar com pressão baixa, a câmara poderia rodar dentro do pneu e degolar a válvula.

Lembrando que o Dune Buggy é um pneu diagonal que exige o uso de câmara de ar, enquanto os modernos tem a superfície interna sem o preparo para receber uma câmara, ou seja, é rugosa e poderá danificar a mesma.

O Planeta não definirá qual a melhor opção, mas é bom que os buggistas saibam o que está em jogo e decidam qual a sua melhor escolha.

Estepe

Sabemos que todo automóvel precisa ter estepe, macaco, chave de rodas e dispositivo para retirar a calota. Está nas regras. Veja detalhes em Itens Obrigatórios

Mas o que as regras não diziam, é que a estepe deveria ser do tamanho das rodas do veículo. Então, baseado na experiência de um buggista, Carlos Guida, que contou ter feito uma estepe com pneu de Biz. Mas a primeira foto, no Planeta, foi enviada pelo Jansen, um paulista que estreitou uma roda de Brasília e colocou o pneu de Biz.

Ele relatou o seguinte (valores da época, 2003) : “Tirando as dúvidas, a roda é de Brasília e custou R$ 130,00 já pronta e pintada, o pneu é de Honda Bizz e custou R$ 35,00 e mais R$ 5,00 da câmara, se quiser pode colocar também o pneu firestone para estepe de carro importado que custa R$ 100,00. A medida da roda ficou com 3,5 polegadas aro 14 e no meu buggy vai ficar embaixo do banco traseiro. Depois que estiver pronto, eu vou mandar outra foto. Vou colocar uma dobradiça no banco e quando levantar vai ter o estepe, chave de roda, macaco, triângulo e caixa de ferramenta, tudo fixado e bonitinho prá não fazer mais barulho ainda.”

Exemplos

Na galeria acima, alguns exemplos de estepes feitos com pneu de Honda Biz e rodas estreitas. As primeiras mostram uma roda de ferro de Brasília e a última, uma roda de liga leve, feita pelo Alemão, de Bento Gonçalves. O Planeta precisou convencê-lo a fazer esta roda nestas medidas, tendo sido a primeira a ser fabricada por ele. Ele vendeu bastante, mas não paga royalties! O Planeta já fica satisfeito com a divulgação de um produto interessante.

Como as estepes de carros atuais, esta não serve para longas distâncias e velocidades altas. É um quebra-galho para chegar até um borracheiro.

Mas é só com pneu de Honda Biz que se faz estepinhos?

Claro que não. A grande vantagem de gerenciar um site como o do Planeta Buggy, é que as contribuições estão sempre chegando. O Léo Stocco (ES), por exemplo, enviou fotos do estepe dele, que é de um Chevrolet Onix, usado com adaptador. Segundo ele, é pequeno o suficiente para caber em um canto do portamalas do buggy. Claro que uma das vantagens do uso desta roda, é que não precisa fazer nada, além de conseguir um adaptador. O Buggy do Léo é um Bugre V, que tem um bom portamalas. Mesmo assim, não caberia um estepe “normal”, porque o tanque precisou ser elevado quando foi adaptada uma caixa de direção de Monza. E o adaptador, claro, fica preso à roda, sem chance de se perder!

As fotos a seguir falam por si

Onde Colocar o Estepe no Buggy

Os projetos de buggies, na sua origem, não se preocupavam com espaço para colocar um estepe. O Manx tinha apenas uma cavidade na carroceria, que serviria para atirar uma roda ali dentro. É o mesmo espaço que o Glaspac tinha, já que foi um clone do Manx. Na galeria a seguir, a primeira foto mostra como o Glaspac é original, a seguinte é da fábrica do Manx, mostrando o kit, exatamente igual ao Glaspac e, finalmente,  a reforma que foi feita no Velho’73, depois do lift e que permitiu fazer um espaço para colocar o estepinho.

Outros locais comuns para se colocar o estepe no buggy. Embora os primeiros buggies não tivessem portamalas, os projetados logo a seguir tiveram seus portamalas, como o Kadron, o Emis, o Bugre e o BRM. Mas, mesmo assim, não eram grandes portamalas e o uso de estepes sempre foi complicado. Ou carregava alguma coisa ou o estepe… Aí, começaram a serem criados as novas possibilidades.

Na galeria a seguir, estepinho no portamalas, no bagageiro, na traseira do buggy (não é todo buggy que fica bem na foto, com um estepe na traseira!), sobre o capô, no Cheda Selva, que´é uma bela solução muito pouco utilizada.

Na segunda coluna da galeria, a surpreendente solução do Woody Sport, com o estepe por baixo do tanque. Em seguida, vemos o aprimoramento dos projetos de buggies, que acabaram resultando no aumento do portamalas dos buggies mais atuais, como no Cauype. Este buggy tem um projeto, que usa um tanque de combustível especial, com menor altura e um capô com um desenho que aumenta seu interior. Com estas soluções, há um portamalas bem maior, que proporciona espaço para levar a estepe e mais um monte de tralha.

Por último, uma solução bastante utilizada nos buggies do Paris-Dakar, a estepe em uma estrutura que liga o santoantônio ao bagageiro. Neste caso, há alguns problemas, pois as luzes estão meio encobertas. Mas a ideia é muito boa. Nos ralizeiros, é comum ver a prória chave de rodas servindo para fixar o estepe, com um parafuso soldado nela.

 

Atenção

Rodas de aço exigem, normalmente, parafusos diferentes das rodas de liga leve. Portanto, ao escolher usar roda de Brasília estreitada, ou similar, convém ter também os parafusos adequados no portamalas.

Pino auxiliar

Trocar pneus no meio de uma trilha, principalmente de veículos que não tenham um pino auxiliar ou parafusos presos ao cubo, como os fuscas (e buggies), é tarefa complicada. Acertar o furo para colocar o primeiro parafuso em situações extremas, pode ser facilitado com o uso de um pino guia. Este da foto foi feito por um torneiro e foi presenteado pelo Sérgio Araújo ao webmaster. O uso é simples. coloca-se o pino em um furo (o que ficar em cima é melhor) e ajusta-se a roda no lugar, colocando-se três parafusos. Aí, é só retirar o pino e colocar o quarto parafuso. Simples assim.

Pino auxiliar para colocação do estepe
Pino auxiliar para troca de roda.

Rodas, Pneus, Estepes…

Alguma sugestão para agregar em “rodas, pneus, estepes”? Coloca nos comentários aí embaixo ou lá no Facebook do Planeta, que vamos construir uma boa base de informação para buggistas novos e antigos.

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