Patente do Manx – 19 de fevereiro de 1965

Patente do Manx – 19 de fevereiro de 1965

Patente do Manx

A solicitação

Em 19 de fevereiro de 1965, Bruce Meyers entrou com o pedido de patente de seu desenho do Meyers Manx.

No desenho, o detalhe da simplicidade, do avantajado ângulo de entrada para poder galgar dunas e o uso das rodas e pneus originais do Fusca (Beetle para os gringos). 

Este era o desenho do Manx I, que não utilizava a plataforma do Fusca. Com o uso da plataforma encurtada e a facilidade de montagem de um carro inovador e bravo, as cópias surgiram e ele não conseguiu fazer valer esta patente.

Em 1964, Bruce já havia feito uma série de Manx I, entre eles o “Old Red”, o primeiro buggy fabricado por ele e que está até hoje circulando por aí! Vídeo com a história dele, lá embaixo, nesta página.

A concessão

Em 15 de fevereiro do ano seguinte, obteve, do United States Patent Office, o registro 203.745.

Podemos considerar como o marco da existência legal do Fiberglass Dune Buggy no mundo, a concessão desta patente.

Portanto, o Fiberglass Dune Buggy existe, legalmente, no mundo, há exatos 55 anos. A explosão foi tão grande que, menos de cinco anos depois disso, já existiam buggies pelo mundo todo, inclusive no Brasil.

Aliás, sobre isso, perguntei ao David Helland, amigo de Bruce, já falecido, que perguntou a ele sobre a licença que, dizem, o Glaspac teve dele. “Não consigo lembrar disso”, foi a resposta simpática.

Criador do Dune Buggy?

O próprio Bruce nega este título. Mas ele diz que o conceito do Fiberglass Dune Buggy foi, sim, criado por ele, porque até aquele momento, o que existia eram chassi encurtado com poderosos motores e a tentativa de deslocar o peso para a traseira.

Claro que houve tentativas para fazer Dune Buggies a partir de Fuscas e até Bruce fez uma tentativa com uma Kombi (!!!). Mas tudo mudou com a criação do Meyers Manx e sua carroceria de fiberglass.

Os primeiros eram monoblocos, que aproveitavam apenas a mecânica do Fusca. Mas, como ficava caro e complicado, a opção pela plataforma encurtada do Fusca veio logo depois dos 12 primeiros Meyers Manx monoblocos. Os buggies brasileiros atuais, quem diria, usam o sistema construtivo dos primeiros Manx!

Um desenho absurdamente simples e prático, aproveitamento quase total de peças do carro doador e um encurtamento do chassi em 33cm.

Duas datas importantes

19 de fevereiro de 1965 e 15 de fevereiro de 1966. A entrada da solicitação da patente e a concessão da mesma. Depois destas datas, a mais importante é o nascimento do Planeta Buggy em 15 de janeiro de 1999! hehehe, brincadeira, claro, mas mostra que este carrinho está há mais tempo entre nós do que imagina a maioria das pessoas, que não são ligadas ao universo buggista.

This Car Matters

Neste vídeo, Bruce conta a história do Manx, tendo o “Old Red” ao fundo.

Muita história em um carrinho tão pequeno!

Esta fantástica história é tão impressionante que temos buggies fabricados até hoje ao redor do mundo. Alguns praticamente idênticos ao original, outros com releituras locais, como os nossos, mas todos com a mesma característica primordial. Os carros que fazem mais sorrisos por quilômetro.

Adeus a Bruce

Alguns minutos após colocar esta página no site, soube do falecimento de Bruce Meyers. Uma notícia provável, pela idade avançada dele, mas que foi uma surpresa. 

Esta página estava sendo montada há alguns dias e queria colocá-la no site em uma data especial. Esta data era a do encaminhamento da patente do desenho do Meyers Manx ao United States Patent Office. Em 19 de fevereiro de 1965.

A coincidência da morte dele no dia deste evento, transforma esta data em algo a ser lamentado e não festejado. Mas, como regra da vida, provavelmente festejaremos esta data em anos vindouros, celebrando a genialidade deste surfista californiano.

Uma pequena homenagem do Planeta, em um post curto, pois fazer justiça ao que ele representa não teria espaço ou palavras suficientes.

Futuro do Manx

Aos 94 anos, Bruce vendeu sua empresa a um investidor da Califórnia que prometeu manter o desenho clássico em produção. Vamos ver como esta história continuará.

Mas temos certeza que a ideia, o conceito, o básico, estará sempre presente espalhado pelo mundo todo.

Aqui no Brasil, com as peculiaridades de cada região, os buggies mantém a mesma premissa de carro simples, sem portas, motor traseiro, divertido. O veículo que faz mais sorrisos por quilômetro.

Em 2006, a revista Car and Driver fez uma reportagem com o Manxter 2+2, onde Bruce declarou “Nunca fui a uma escola que ensinasse a projetar carros, então não sabia o suficiente para ficar restrito como um projetista ficaria.

Patente do Manx
Manxter 2006 - foto: Morgan J. Segal

Sobre a plataforma inteira

O Manxter 2+2 é um kit para ser colocado sobre a plataforma do Fusca sem cortes. Ou seja, um Manx “alongado”.

Uma solução interessante por aqui, já que não há corte ou modificação no chassi?

Também há outros modelos como  o classic, que é uma versão mais moderna do clássico encurtado, mas com abertura no portamalas. 

E ainda uma versão para trilhas mais selvagens, o Dual Sport.

Hot Rod – 90 anos de Bruce Meyers

Uma matéria da Hot Rod Magazine, mostra a trajetória – que todos conhecemos – contada pelo próprio Bruce. Tem um vídeo lá, muito legal!

Este post tem 5 comentários

  1. Chevas

    Cabe preparar uma matéria especial.
    [] ‘s

    1. Beco

      Pensei nisso, mas não me achei à altura. Fiz apenas um registro pequeno no site.

  2. Marlon

    Quem diria, Carlão, faleceu na mesma data de pedido da patente!!!!

    1. Beco

      O Universo conspirando. Eu tenho analisado datas para ver quais poderiam ser utilizadas para comemorar a existência do buggy no mundo. Esta era uma delas, a mais óbvia no meu entender, já que foi o encaminhamento para um órgão oficial, do desenho icônico e imortal. E Bruce faleceu exatamente nesta data.
      Para mim, 15 de fevereiro será a data magna do buggy no mundo.

  3. Beco

    Quando terminei de colocar a página no ar, vi a notícia da morte de Bruce, aos 94 anos.
    Parece um velho amigo, que conheço há mais de 40 anos, acompanhando a genialidade, as dificuldades e o reconhecimento, em vida, de que era um visionário, um criador que influenciou o mundo inteiro.
    Que as novas trilhas sejam fortes e desafiadoras, Bruce.

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