You are currently viewing Buggies Argentinos sem ter o Fusca como Doador
Buggy Burro - Mário Rodriguez Sammartino

Buggies Argentinos sem ter o Fusca como Doador

Buggies Argentinos com Mecânica Renault

Na falta de Fuscas para fazer seus buggies, os argentinos foram criativos e usaram o que tinham mais abundantes por lá, os pequenos Renaults Dauphini e Gordini e até alguns modelos FIAT, da década de 60.

O Planeta Buggy tem alguns buggies argentinos no seu acervo de fotos e detalhes. Um deles, o Buggy Burro do Mário Rodriguez Sammartino é o que ilustra a capa desta postagem e que também está ao final, com um depoimento do próprio Mário.

Uma consulta ao Club Amigos del Buggy, da Argentina, resultou em muitas informações sobre a história e o desenvolvimento do buggismo por lá. Graças à atenção do Pablo Hernan Viera, administrador do site. Todas as informações referentes aos buggies argentinos, a seguir, foram providas por ele, a quem o Planeta Buggy agradece muito.

A história dos Buggies Argentinos

Por Pablo Hernan Viera
Club Amigos del Buggy

Na Argentina, a história deu-se a partir dos anos 70, com o surgimento dos modelos Puelche e Burro, o primeiro criado por Juan Garbarini nas proximidades da cidade de La Plata, e o segundo por Máximo Aldunate titular da firma Dicky SRL na Capital federal.

Praticamente ao mesmo tempo, inicia-se o desenvolvimento e a produção de vários outros modelos. Um exemplo disso é o surgimento do Potro (o único buggy argentino fabricado sob licença de B.F. Meyers), do Galgo e do Bugetta.

Todos os nossos buggies foram oferecidos em kit ou montados pelos fabricantes. Naqueles anos proliferavam os modelos Renault Dauphine e Gordini, e qualquer dono de algum deles poderia, com pouco conhecimento, montar sua mecânica nos kits que eram oferecidos e assim produzir um carro de forma absolutamente artesanal, podendo documentá-lo sem grandes complicações, como “Rearmado” ou “Armado Fuera de Fabrica”.

Graças à variedade de marcas, e aos artesãos pioneiros do “Faça Você Mesmo”, hoje contamos com uma grande frota de automóveis em todo o nosso país.

Na Argentina, o VW Beetle (ou Fusca) era um carro raro, mas a mecânica da Renault, mais precisamente os modelos Daulphine e Gordini eram abundantes, além do fato de que naquela época a Renault apoiava muito a indústria nacional e o automobilismo de competições,

Por isso, esta mecânica foi utilizada para montar os buggies, com chassis próprio, muito semelhantes entre todos e que, por sua vez, permitiu a montagem, tanto de novos conjuntos mecânicos (motor e caixa de velocidades), como de carros usados. Embora o Fiat 600 também estivesse em abundância, a mecânica da Renault era a mais fácil de montar e a que melhor atendia às características de um buggy (bom torque, de baixo custo, motor traseiro entre outras características desejadas).

O Bugetta de Ugo Garibotti, precisa de uma explicação em separado: em suas próprias palavras, foi ele quem projetou o Bugetta, com base em sua experiência em corridas de carros esportivos, usando um chassi monocoque de ferros e chapas de metal dobradas e rebitadas. Com o advento da Internet e grande conectividade, descobriu-se que o mesmo Bugetta era fabricado nos EUA, muitos anos antes de Garibotti fazê-lo, montando-o com o motor boxer do Corvair. Em seguida, Garibotti explica que, na época, havia levado os planos do Bugetta para fazer lá, mas não conseguiu vender a ideia, sem ouvir falar dos Bugettas americanos até alguns anos atrás. Não sabemos quem copiou a ideia para quem, mas sem dúvida, é um ótimo carro!

 Uma última curiosidade: o buggy “Kikito” foi fabricado com mecânica Fiat 600, equipando o motor Fiat 128. Foi fabricado pela IAVA, empresa que oferecia kits de atualização de motores para a linha Fiat.

O Chassi

Ao lado, a imagem de um chassi do tipo utilizado em praticamente todos os buggies argentinos.

A grande vantagem do uso do trem de força do Renault Gordini, é que todo ele era montado na traseira do carro doador, inclusive o radiador.

Fotos dos Buggies Argentinos Clássicos (Club Amigos del Buggy)

Um Pouco Mais Sobre o Bugetta

A polêmica é interessante. O criador do Bugetta argentino, diz que levou o projeto até os EUA para tentar produzir por lá. Mostrou seus desenhos, mas não conseguiu parceiros. Quando, finalmente, conseguiu produzir seu buggy na Argentina, descobriu que tinha um outro igual nos EUA. Como disse Pablo, difícil saber quem copiou quem, mas não importa, é um buggy incrível!

Nas fotos abaixo, a comparação entre as Bugettas gringa e argentina. Observe que as linhas são iguais, mas não parecem ter saído da mesma forma, pelas diferenças sutis encontradas. Ou seja, têm o mesmo desenho, mas parece que não foram feitas a partir do mesmo protótipo.

Mecanização Renault Dauphini/Gordini

O Renault Dauphini tem uma configuração muito interessante para ser utilizada, como o foi, nos buggies argentinos.

Motor e caixa traseiros, com diferencial incorporado, como no Fusca e os braços oscilantes que concluem uma suspensão traseira independente.

Além disso, a colocação do radiador exatamente na frente do motor e já desenvolvido para estar nesta posição, completa o conjunto que, colocado integralmente na traseira de um buggy, ficam perfeitos!

O motor do Dauphini e do Gordini apresentam excelentes condições de aprimoramento e aumento de potência, caso desejado.

Por ter um torque elevado em baixas rotações, o uso no fora de estrada é adequado. No Brasil, o Renault 1093 fez sucesso nas pistas, rodando parelho com JKs e Simcas.

Nas imagens a seguir, detalhes desta motorização. O primeiro é um desenho publicitário da Renault francesa, na década de 60. A foto é de uma matéria da Quatro Rodas, sobre Clássicos.

O Buggy Burro de Mario Sammartino

Em 2005, recebemos esta mensagem do Mario:

Estimados amigos de Planeta Buggy, Mi nombre es Mario y soy de Mar del Plata, Argentina.

Tengo este hermoso buggy que es un Burro Buggy original. Fue el primer buggy argentino (creo que es asi) y es del año 1972. Tiene un motor Renault Gordini “Ventoux 670-5” llevado a 1100 cc. La carroceria es la misma que la del amigo de Punta del Este que ignoraba que tipo de carroceria era, asi que aporto un dato mas a la gran cantidad de interesantes cosas que publican en esta esplendida pagina.

Un abrazo

Mario Rodriguez Sammartino

Deixe um comentário