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Meu Buggy Glaspac 1972 e alterações em 47 anos

Alterações e Customizações nos Buggies dos Planetários

A coisa que os buggistas mais gostam de ver (bueno, pelo menos eu…) são as modificações que se fazem nos buggies.

Sejam elas simples ou mais elaboradas, é sempre interessante ver o que se faz e como se faz, para que os novos buggistas (e os velhos também), possam curtir e, quem sabe, aproveitar algumas ideias.

Com esta ideia na cabeça, o Planeta Buggy inaugura uma nova área no site que vai falar exclusivamente de alterações e customizações de buggies.

Para se ter uma ideia de como a coisa vai funcionar, a primeira postagem é sobre o Velho’73, a razão de existir do Planeta Buggy.

Na verdade, muita coisa vai ficar de fora, pois nem mesmo eu sei mais o que foi alterado nele… Vamos ficar com as coisas mais visíveis e interessantes, portanto.

Meu Buggy Glaspac 1972

Por Carlos “Buggyman” Vaz da Silva

Os Bancos

Meu Buggy Glaspac 1972 foi comprado em 1973 (por isso eu chamo ele de “Velho’73”). Sua montagem foi em Arroio Grande, segundo informações que tive na época. Mas tinha muita coisa por fazer. Nunca tinha sido pintado, os bancos foram feitos meio à martelo e foi a primeira coisa que foi mudada. Consegui uns bancos de fiberglass que estavam em uma carreteira Simca e coloquei trilhos genéricos. Ficaram ótimos. Em uma das reformas, eles foram estreitados, pois roçavam na lateral e no túnel do buggy.

Mais recentemente, foi colocado um suporte de borracha sob os bancos, para absorver um pouco da vibração do carro.

Quer saber mais sobre bancos de buggies? O Planeta Buggy tem uma postagem sobre isso!

Os Parachoques

Logo depois, começaram as tentativas de melhorar os parachoques, já que os que estavam nele eram de tubos, bem mal feitos, não originais do kit. Desde então, o Glaspac teve parachoques de Modelo A, de Fusca e, finalmente, os de tubo que estão nele hoje, com o cambão BRM na dianteira e um tubular tipo gaiola na traseira. Neste mesmo momento, foram colocados os estribos laterais. No cambão, além da alteração da fixação, foi soldada uma placa de aço para servir de proteção da suspensão dianteira.

Na primeira reforma, foi feito um recorte nos paralamas, para aumentar a “cara de jipe”, que eu queria na época. Ao mesmo tempo, foi alisado o capô, tirando o vinco, que sempre achei muito estranho.

As laterais, que caiam com certa frequência, já que o buggy era muito usado no trabalho em estradas do interior, foram coladas. Ao mesmo tempo, foi redesenhada a lateral nas caixas de rodas, como pode ser visto, comparando a foto antiga, dos parachoques de Modelo A, com as do parachoques de Fusca. Gostou do assunto parachoque? Tem uma postagem sobre parachoques em buggies, aqui no site.

Também por esta época, foram colocados as castanhas de regulagem de altura da suspensão dianteira. Foram colocadas em posição central, de maneira que é possível deixar ele um pouco mais alto ou um pouco mais baixo que o original.

As Lanternas

As sinaleiras (lanternas) traseiras de Variant (originais no desenho do Glaspac) foram retiradas e colocadas as do Fusca Fafá, cujas lentes foram trocadas depois por outras que imitam a do New Beetle. Para isso, foi preciso fazer um pequeno recorte na fibra, mas ficou harmonioso, como se tivesse sido projetado para ele.

Na dianteira, depois de muitas sinaleiras diferentes, acabou ficando com um par comprado em uma feira de motos. O aro dianteiro destas sinaleiras enferrujou logo e foi trocado por aço inox, em um profissional que trabalhava com letreiros. O mesmo que fez o acabamento do bocal do tanque. O cara era muito bom!

Claro que aqui no site também tem uma postagem sobre sinaleiras em buggies!

A alteração no capô

O capô já tinha sido alisado e os parachoques cortados, mas com este recorte, a frente ficou estranha, pois o apoio ao desenho foi retirado.

Então, foi necessário fazer um face lift, uma plástica nasal… Neste momento, já tinha a ideia de deixar mais parecido com o Manx. Não ficou parecido, mas ficou bem melhor! Aproveitando, o bocal de abastecimento foi colocado um pouco mais para trás e um bocal de Brasília foi soldado nele. Um acabamento em aço inox foi colocado para melhor visual. 

Abaixo as fotos da reforma que foram feitas as mudanças do capô, lateral e traseira. E a “plástica” no capô.

Repare na primeira foto, que o capô original era mais largo na frente. Foram cortadas as laterais do capô, onde foi feito um sanduíche de fibra e massa plástica para modelar. O resultado me agradou bastante.

Cubos de Roda

O veículo doador era um Fusca 1969, com cubos e rodas 5×205 e já naquela época era difícil encontrar boas rodas com esta furação, principalmente de liga leve. Para colocar rodas gauchinhas, a saída foi usar adaptadores de alumínio e esta solução durou vários anos, até que resolvi trocar os cubos de rodas por outros 4×130, do Fusca 1300L, que tem a mesma configuração dos Fuscas antigos, mas são mais largos e, bem, tem quatro furos. O cubo dianteiro foi trocado sem nenhuma alteração. O traseiro precisou ter um pequeno trabalho de torno para dar espaço à ponteira do eixo. Nada sério.

Com a troca dos cubos, foi necessário trocar as sapatas de freio para outras mais largas.Poderia ter colocado freios a disco? Provavelmente seria a solução lógica, mas não acredito que seja necessário freios a disco na dianteira de um buggy…

Os cubos foram cromados posteriormente.

Rodas

As rodas que vieram nele nem lembro do desenho. Sei que imediatamente troquei para umas de liga leve, largas, aro 13″, no desenho “Bolo de Noiva”, da Scorro.

Como eram muito pequenas, e não davam conta do serviço rural, coloquei rodas de ferro, com aro 14″ na traseira e pneus de Dodge Dart, e aro 13″ com pneus de Corcel, na dianteira.

Mais tarde um pouco, comprei um jogo de rodas gauchinhas, aro 13″ e 15″, com Dune Buggy e um pneu Michellin com as cores da bandeira brasileira. Dá uma olhada na foto do buggy com parachoque de Fusca.  Estas rodas foram usadas com os adaptadores de cinco para quatro furos, até a troca dos cubos.

Bem mais tarde, comprei um par de rodas gauchinhas aro 14″ para a dianteira. Na última reforma, comprei uma roda estreita, do mesmo desenho, para estepe. E todas do mesmo fabricante, com uma diferença de mais de 30 anos entre elas! O Alemão de Bento Gonçalves trabalhava na empresa original e, com a morte do dono, acabou adquirindo da viúva os moldes. Atualmente as rodas dele são de altíssima qualidade, com condições de uso sem câmara, o que não era possível naquelas primeiras.

A configuração que está nele hoje é aro 15″ na traseira com Dune Buggy da Firestone e aro 14″ na dianteira com pneu estreito e de perfil alto, 175-80X14. Com esta configuração, foi possível manter a frente levemente rebaixada e, mesmo assim, com o pneu próximo da linha do paralama, que é o estilo que o Buggyman gosta, atualmente.

Aliás, rodas grandes são complicadas de colocar, principalmente em situações de trilha, já que o Fusca tem parafusos e não porcas para prender as rodas. Logo, acertar o local é sempre complicado. Para resolver isso, existe uma ferramenta que pode ser feita em qualquer torneiro, que é um pino para auxiliar a colocação da roda. Este pino é rosqueado em um dos furos do cubo e depois é só colocar a roda ali e aparafusar. Tem quem use dois para ficar ainda mais fácil. Mas não precisa tanto…

Glaspac, classificado como Fiberglass Dune Buggy

Parabrisa

Originalmente, o Glaspac tinha uma tira de alumínio sob o vidro, mas sem estar presa a nada, a não ser pelas borrachas. Foi retirada e o parabrisa ficou levemente mais baixo e mais limpo, visualmente.

Na estrutura do parabrisa, foi instalado um parasol, item obrigatório segundo o CTB. Foi utilizado um de Chevette, que é preso nas duas extremidades. Como era muito largo, foi desmontado e sua estrutura de arame foi redesenhada para ficar mais estreito. Depois, recortando o papelão e a esponja dele, foi feita uma nova capa por um tapeceiro que fez os bancos, na época.

Também no parabrisa foi instalado um espelho de Corcel, colado diretamente no vidro. Depois de várias tentativas com as colas da época, que se soltavam, foi colada a pastilha com araldite. Está lá até hoje.

Espelhos Retrovisores Externos

O espelho que veio nele era do Fusca doador. A troca foi feita por um de Maverick GT (é…) montado sobre o paralama esquerdo, como pode ser visto na foto antiga, de Santa Maria.

Em seguida foram colocados os espelhos de moto Yamaha, que ficaram por muito tempo no Velho. Eram aparafusados diretamente na fibra.

Para um visual mais interessante, comprei um adaptador do Meyers Manx para colocar os espelhos diretamente na moldura do parabrisa. Continuam espelhos de moto, mas com mais estilo que os redondos anteriores. E mais altos, o que permite uma visão melhor.

Estes adaptadores, feitos em alumínio, permitem a colocação em qualquer posição no quadro do parabrisa, pois ele prende na canaleta dianteira e na parte traseira do quadro, por pressão, sem furar nada. Encontrei aqui, mas eu estava lá e o dólar era mais baixo… e não parece ser difícil de fazer, com um bom torneiro.

Uma coisa interessante neste suporte, os espelhos podem ser colocados mais acima e com a haste para baixo. Ou mais para baixo, com a haste para cima. Deixei em cima, que pareceu dar uma visão melhor e facilita a entrada no buggy.

Volante e Coluna de Direção

Meu Buggy Glaspac veio com um volante esportivo bem simples. Em seguida comprei um de madeira de pequeno diâmetro (28cm), o que demonstrou que buggy com sistemas originais e volante pequeno não são compatíveis… O volante atual é um Shutt com 32cm de diâmetro, adequado para o uso normal.

O volante menor que o do Fusca, com a chave de seta original também criavam uma situação de quebra frequente, ao entrar no buggy. A bainha da calça pegava na chave e lá ia a coisa para o lixo. Depois de quebrar algumas vezes, cortei a chave para ficar mais curta. Funcionou na questão da quebra, mas ficou feia e ruim de acionar.

Foi quando resolvi trocar a coluna de direção por uma de Santana, escamoteável. Assim, foram trocadas as chaves de seta e do limpador de parabrisa, ao mesmo tempo em que poderia levantar o volante para entrar e sair mais facilmente do buggy (a idade pega!). Precisei trocar o cubo, mas mantive o mesmo volante. Funcionou perfeitamente e, de quebra, uma nova trava de direção.

Falando em direção, o Velho’73 tem duas buzinas, uma uga-uga, muito antiga e outra dupla parecida com a dos antigos Mercedes-Benz, um bip-bip bem sonoro. Uma chave sob o painel permite a troca das buzinas.

Lift da Carroceria

Uma das coisas que sempre me preocupou no meu buggy Glaspac, era a proximidade do pneu traseiro com o paralama.

Com duas pessoas sentadas no banco traseiro, o pneu raspava um pouco ali e era um risco real para quem estava naquele ponto se colocasse a mão. Sempre avisava, mas o risco estava ali, espreitando. Poderia recortar os paralamas, como é visto em muitos Glaspac, mas é uma solução muito feia e estraga o visual lateral do buggy.

Poderia erguer a suspensão, mas ficaria estranho quando não tivesse ninguém ali atrás, com o carro alto demais e as rodas com cambagem positiva exagerada.

A solução, bem simples por sinal, foi levantar a carroceria toda. Como o Glaspac tem uma carroceria aparafusada na plataforma do Fusca, era só colocar um afastador de igual tamanho em toda a periferia da plataforma, o que foi feito com tubos metalon de 60mm nas laterais e uma chapa recortada sobre o chapéu de napoleão. A parte traseira foi fechada com fibra de vidro.

Alguns apoios precisaram ser refeitos, a coluna de direção precisou ser remanejada, mas o resultado ficou excelente, muito melhor que o esperado.

Gostou da ideia, mas teu buggy não tem chassi de Fusca? Dá pra fazer em qualquer buggy, com algum cuidado. Claro que o Planeta Buggy tem uma postagem falando sobre Lift de Carroceria.

Local para o Estepe

O Glaspac não tem abertura no capô e, portanto, não tem lugar para o estepe. Originalmente, tinha uma abertura igual à encontrada no Manx, que era usada para prender um estepe, mas sacrificando, obviamente, metade do banco traseiro.

Com o lift que foi feito na carroceria, acabou “sobrando” um espaço embaixo do banco traseiro, que foi utilizado para moldar um local pra um estepe fininho, aro 14″x3″ com pneu traseiro da Honda Biz. Abaixo dele ainda sobrou um pequeno espaço para algumas tralhas.

A base e o encosto do banco traseiro foram feitas com fibra de vidro laminada em placas. As dobradiças são de aço inox, náuticas.

Quer saber mais sobre rodas, pneus e estepes? Visita esta postagem do Planeta!

Instalação Elétrica

O Velho’73 teve toda sua instalação elétrica trocada. Na primeira reforma, para retirar o capô foi preciso cortar toda a fiação. Logo depois, foi feita uma nova fiação, com caixa de fusíveis de Chevette (era a melhor da época) e conectores que possibilitassem o desmonte sem cortar nada.

Foi retirado o dínamo e colocado um alternador, com a troca da ventoinha e tudo mais. O corpo e a base do alternador foram polidos. O distribuidor passou a ser sem platinado e uma chave geral foi incorporada.

As luzes espia foram todas trocadas por LEDs.

A luz de placa que, originalmente, era de uma Rural Willys, foi trocada por um suporte de placa do Opala, com uma luz de reboque acoplada. Menos barulho na traseira. Neste ponto, ainda dá para melhorar.

No Motor

O motor do Velho é basicamente o mesmo desde 1969. Os kits foram trocados para 1500cc, para melhorar um pouco a performance. Durante algum tempo, ele teve carburação dupla, um distribuidor centrífugo Resolit, comando P3 e mais algumas coisinhas.

Mas retornou ao manso 1500cc com carburação simples. 

De resto, apenas “perfumaria”. Latas pintadas em vermelho, algumas partes polidas ou cromadas, parafusos de aço inox nas latas e um par de polias dentadas, compradas na Ancona, com esticador de AP e correia dentada de Chevette. Dá um ar mais interessante no motor… 

Também foi colocado um filtro de óleo com circulação externa e um filtro de óleo, que aparece na segunda foto, preso ao parachoque.

Repara ali em cima da placa, o que restou de um filtro de ar. Antes do lift, tinha um espaço muito pequeno ali embaixo e o filtro era difícil de verificar e trocar. Então foi aberto um furo e colocado um filtro HB, feito para Opala, mas com a base com furação simples. O que ligava este filtro ao carburador era um tubo de PVC Tigre colado na carroceria e um tubo de borracha entre ele e o carburador. Funcionava muito bem, mas o ruído era meio alto, desconfortável. Quando deu espaço, o filtro foi lá para cima do carburador, mas para não ter que fechar o buraco e refazer o acabamento, acabou ficando ali, sem o elemento filtrante…

E ali no motor também foi colocada uma bomba de combustível manual, daquelas de motor de popa, para auxiliar a partida quando fica muito tempo parado.

A Descarga

O escapamento original (que estava nele) era um com saídas laterais separadas, de Gurgel. Funcionava direitinho, não raspava embaixo, pois era lateral ao motor.

Mas era feio… Logo, foi instalado um 4×1 da Truck, utilizado nos Formula “V” e uma enorme corneta saindo direto para trás.

Não era a coisa mais aconselhável manter este tipo de escapamento, então foi feito um novo tubo com um silencioso  tipo turbinho cromado na extremidade.

Também não ficou muito bom, pois atrapalhava a intenção de fazer um novo parachoque. Então, foi feito um novo caminho do cano de saída, alterando a pirâmide do coletor para cima e colocado a mesma corneta original da Truck, mas com um miolo de lã de vidro, para não ficar tão barulhento. O resultado ficou muito bom. Talvez uma cromagem ali deixasse ele melhor um pouco. O escapamento atual é o que aparece nas fotos acima. Abaixo, as anteriores.

Os Faróis

O Glaspac, como a maioria dos buggies da década de 70, usam faróis de trator, com bloco ótico de Brasília, de 130mm de diâmetro.

O Manx e todos os buggies gringos do mesmo estilo, usam faróis de 7″, mais ou menos 170mm de diâmetro (o mesmo dos Opalas e Mavericks). O Velho ganhou seus faróis Empi de 7″ e ficou ainda mais estiloso!

Dá pra notar a diferença?

Por Enquanto é Isso!

Devo ter esquecido um bocado de coisa. Mas, assim como o buggy, também fiquei velho e esquecido!

De qualquer maneira, a ideia é mostrar coisas que a gente faz nos nossos buggies e que podem ser copiadas ou usadas como inspiração para alterações em outros buggies. Ou até para ver o que não deu tão certo.

Mostra o que o teu tem de especial, quais as mudanças, mesmo pequenas, que foram feitas nele. Afinal, buggy é como Harley, não podem existir dois iguais! Comenta lá embaixo ou no grupo do Facebook!

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