Fica Frio! – mantendo o Motor Boxer na temperatura correta
motor pintado

Fica Frio! – mantendo o Motor Boxer na temperatura correta

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  • Post published:18/03/2021
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  • Post last modified:06/04/2021
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Mantendo o motor boxer na temperatura correta

O Planeta não quer ensinar ninguém a ser um mecânico de motores, apenas mostrar coisas simples que podem ser observadas na própria garagem. E, claro, a grande maioria dos visitantes do Planeta Buggy podem até achar que isso seria dispensável.

Mas precisamos apoiar os que estão começando no estilo buggista, principalmente os que compraram buggies com motor boxer, mais antigos.  A estes, estas páginas de mecânica básica são dedicadas. Se tens alguma dúvida, mesmo que pareça simples, coloca ali nos comentários. Não existe pergunta boba e ninguém sabe tudo sobre tudo.

Então, os objetivos desta postagem são:

  • Pelo menos ter algum conhecimento para não ser enrolado por algum mecânico inescrupuloso (sim, eles existem e são muitos!). Tem também os que aparentam conhecer muito, mas sequer sabem dos detalhes destes velhos motores.
  • Para aumentar teus conhecimentos sobre esta jóia mecânica e até para manter uma conversa com aquele compadre que tem um Fusca,
  • Quer saber mais? Dá uma olhada nos outros tópicos que falam sobre a mecânica dos Buggies. Aqui, neste link.

E por que manter o controle da temperatura do motor? Por ser refrigerado a ar, é um pouco mais difícil perceber quando o motor está sobreaquecido.  Se ele trabalhar muito quente, o prejuízo é certo. 

Meu motor está quente?

Um motor (muito) quente dá sinais claros que algo não está bem. Ele perde força e começa a fazer barulhos de “bater pino”. Pare imediatamente e desligue o motor. Pode ser que ele se mantenha funcionando por autoignição, se não tiver o solenoide no giclê de lenta. O melhor a fazer, é engatar uma quarta marcha e, com o freio acionado, soltar a embreagem suavemente. O motor vai “morrer”.

A causa mais comum para acontecer um superaquecimento é o rompimento da correia do alternador/dínamo. Como é ela que aciona a ventoinha do motor, a consequência é aquecer. Quando a correia se rompe, o alternador ou dínamo param de funcionar e uma luz se acende (deveria) no painel. Mas é uma luzinha pequena que pode passar despercebida… 

Fiquem atentos, portanto, a estas duas luzinhas quando ligar teu buggy. Uma delas, a vermelha, controla o funcionamento do alternador ou dínamo. A outra, verde, controla a pressão do óleo. Ambas devem estar acesas quando se liga a chave e apagar tão logo o motor funcione.

Mantendo o motor boxer na temperatura correta
Velocímetro do Fusca e suas luzes espias

“Teste” para saber se o motor está muito quente

Tire a vareta do óleo e teste a temperatura com a ponta dos dedos. Com cuidado, claro. Se der para suportar o óleo, está boa. Se queimar os dedos, está quente demais! Normalmente, o motor vai estar cheirando mal, também.

Como o óleo é o maior responsável pelo arrefecimento do motor, se ele estiver com nível muito baixo, também pode ser este o motivo do superaquecimento.

Troque o óleo

Se teu motor sofreu um superaquecimento, mesmo que isso não tenha causado nenhum tipo de problema, troque o óleo o mais rapidamente possível. O óleo de motor se degrada em altas temperaturas e perde boa parte da sua capacidade de lubrificação.

Mantenha o motor limpo

Em um buggy que anda em trilhas com barro, é importante fazer uma lavagem do motor para retirar o barro que se acumula entre as aletas dos cilindros e entre as latas. A presença deste barro pode causar uma deficiência no arrefecimento e, consequentemente, na elevação da temperatura do motor.

Às vezes um vazamento de óleo pode causar acúmulo de sujeira, que também tem o mesmo efeito que o barro. Fica atento a estas situações.

Qual a Temperatura Ideal?

O Planeta Buggy buscou informações em várias fontes. Uma antiga revista VW Trends (outubro de 2004), em um artigo sobre arrefecimento, cita um manual técnico da Gene Berg, que é uma empresa gringa especializada em VW com motor boxer. Neste manual, a temperatura máxima do óleo é indicada como 235F, o equivalente a 112,7ºC.

Em outros locais, a faixa de temperatura ideal se coloca entre 90ºC e 110ºC, o que parece adequado.

Alguns dizem que é preciso ficar acima de 100ºC para que a água que estiver, eventualmente, no óleo, seja retirada na forma de vapor. Esta não parece uma explicação razoável. Além do fato de que o óleo não é higroscópico e, portanto, não deveria ter água, qualquer volume de água evaporado pela temperatura, iria condensar-se em alguma parte do motor.

Em condições normais, o motor boxer não irá sobreaquecer, mas em uma trilha pesada, em baixas velocidades, isso pode ser um risco real, mesmo com tudo mais estando em perfeita ordem. Daí a necessidade do controle da temperatura.

Em situações extremas, poderá ser necessária a instalação de um radiador de óleo.

Como prevenir o superaquecimento

Em primeiro lugar, é bom que o motor tenha todos os detalhes que permitem o fluxo de ar no perímetro do motor.

A Capela

Esta é a parte mais importante do sistema de refrigeração do motor boxer. É onde está a ventoinha que faz o ar circular entorno do motor. Nos modelos com aquecimento interno, existem duas saídas de ar, uma de cada lado, para levar o ar até o entorno do silencioso e dali para dentro do veículo. Em buggies, claro, este sistema não existe e estas saídas precisam estar bem vedadas para não permitir o vazamento de ar do sistema. 

Na foto a seguir, uma borracha encontrada no mercado para tampar estas saídas. Ou é possível fazer isso com um pedaço de câmara de ar presa com uma abraçadeira.

Para que serve? - Tampão de borracha na capelinha
Tampão de borracha na capelinha

O Radiador de Óleo

Nos modelos mais antigos, o radiador de óleo está dentro da capela, fazendo com que o ar que passa por ele seja aquecido e os cilindros à direita do motor estejam sempre um pouco mais quentes que os do outro lado.

Em modelos mais recentes, há um deslocamento do radiador, fazendo com que a parte do ar que passa por ele seja mandado para fora e não para os cilindros.

A Ventoinha

Nos modelos com dínamo, a ventoinha é mais estreita e tem menos aletas. Quando foi instalado o alternador, para que funcionasse corretamente, a polia  teve seu diâmetro aumentado, fazendo com que a ventoinha tivesse sua velocidade reduzida. Consequentemente, foi desenvolvida uma nova, com mais aletas e um pouco mais larga. Por este motivo, quando se troca o dínamo por alternador, é necessária a troca da ventoinha também, sob pena de termos um arrefecimento deficitário.

As Latas do Motor

Há um conjunto de latas que fazem o ar deslocar-se à volta e entre os cilindros, fazendo a refrigeração dos mesmos. Todas são necessárias, inclusive as pequenas que ficam entre os cilindros e as que estão sob o motor, protegendo as capas de tuchos.

De todas as latas originais do motor do Fuca, as únicas que não fazem falta são as que selam o compartimento do motor do Fusca e que são desnecessárias em um buggy.

Mais um conjunto de borrachas é encontrado nas velas, servindo de vedação para manter o ar dentro do circuito de refrigeração.

Para que serve? Tampão de borracha na vela
Tampão de borracha no cabo de vela

Polias

Nós já sabemos que quando trocamos o dínamo por um alternador, há uma mudança no diâmetro da polia do gerador e isso é compensado por uma ventoinha mais eficiente.

Mas há outras alterações que, muitas vezes, não nos damos conta. A troca da polia do virabrequim, por exemplo. Existem alguns modelos muito bonitos. Mas são de menor diâmetro e, portando, fazem a ventoinha rodar mais lentamente. A relação entre as duas polias deve ser mantida, para que a rotação da ventoinha seja mantida.

A foto que ilustra este post é do motor do Velho’73. A polia do virabrequim é menor que a original. Ficou bonito, mas está errado, em relação à refrigeração do motor. Isso está sendo compensado, em parte, pelo filtro externo e a maior quantidade de óleo. Talvez…

Monitorando a temperatura do motor

Em um motor refrigerado a ar, uma das maneiras de monitorar a temperatura dele é através da temperatura do óleo.

Para isso, é preciso colocar um sensor para medir a temperatura do óleo. O local mais óbvio é  no mesmo local onde está o sensor de pressão, com a colocação de um “T”. Este sensor eletrônico informa, em um relógio no painel, a temperatura do óleo. Existem outros pontos onde pode ser colocado este sensor, mas nenhum é tão simples quanto este.

Outro tipo de sensor é um que meça a temperatura na carcaça do motor (no caso, nos cilindros). É o mesmo tipo de sensor utilizado em baús frigoríficos e tem um painel que, além de monitorar a temperatura, pode ser programado para ligar um sinal sonoro quando a temperatura aproxima-se de um ponto crítico.

Aprimorando a refrigeração do motor

Aumentando a capacidade da bomba de óleo.

Existem modelos de bomba de óleo com engrenagens de maior tamanho, possibilitando uma maior circulação do óleo e, consequentemente, melhorando a capacidade de refrigeração, embora que de maneira muito sutil.

Colocando um filtro externo ou um radiador de óleo

Com uma boma de maior capacidade e com circulação externa, é possível a colocação de um filtro de óleo ou de um radiador externo.

O Planeta acredita que o uso de um filtro externo já tem um grande impacto na refrigeração do motor, por várias razões:

  1. aumenta a quantidade de óleo em circulação no motor;
  2. provoca uma circulação externa do óleo, promovendo a refrigeração do mesmo;
  3. Filtra o óleo, possibilitando o uso por mais tempo que o programado, já que o motor boxer não tem filtro de óleo e deve ser trocado mais frequentemente, justamente por conta das partículas em suspensão.

No Brasil, uma empresa fabrica estas bombas de circulação externa e de maior capacidade. A SCHADEK tem esta bomba no catálogo.

Para a instalação do filtro, um torneiro pode fazer o suporte. Mas ele é facilmente encontrado no Mercado Livre. Com uma boa pesquisa em desmanches, dá para achar o suporte de filtro de algum outro tipo de motor. 

Para a instalação do radiador de óleo, é imprescindível a escolha de um local que tenha circulação de ar e seja protegido de eventos externos.

Era muito comum se ver em Fuscas, na década de 70, radiadores na dianteira, abaixo do parachoque.  Não são a melhor opção, pois além das tubulações precisarem ser muito longas, o que demanda um esforço maior da bomba, a possibilidade de acidentes aumentam significativamente.

Polêmica?

Se o buggy for utilizado em estradas ou apenas na cidade, um radiador de óleo pode não ser necessário. O Planeta Buggy viu o vídeo de um mecânico famoso falar que um radiador de óleo pode prejudicar quando promove um resfriamento do óleo abaixo dos 90ºC. Bem, esse poderia ser um ponto de discórdia entre os profissionais. O Planeta, que não é especialista em mecânica, acredita que isso não é uma realidade inflexível. Temperatura do óleo e temperatura do motor são coisas diferentes. Quando o óleo está muito quente, a capacidade de refrigeração dele é reduzida. E a degradação começa.

Algo mais?

As informações aí em cima são genéricas, apenas para conhecimento e talvez um serviço no teu buggy, depois de um pouco mais de pesquisa. E, claro, para saber se está tudo ok com o sistema de refrigeração do teu boxer.

Como tudo no Planeta Buggy, é um ponto de partida para um serviço com um profissional ou até mesmo na tua garagem. 

Se alguma informação está errada ou conflitante, informa. Se tens algum tutorial ou ideia sobre este assunto, vamos conversar sobre isso! Os comentários estão abertos para a discussão.

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