Itens obrigatórios em buggies

Saiba mais sobre o que é obrigatório nos buggies

Todos sabemos que buggies são veículos como qualquer outro e, consequentemente, precisam ter todos os ítens obrigatórios que um veículo precisa ter. Até os que nos parecem estranhos.

Nesta rápida compilação, o Planeta quer mostrar o que a legislação diz ser item obrigatório nos buggies. Se verificar alguma impropriedade, por favor, avisa nos comentários, que ficarão abertos para isto.

Mas atenção, esta página ´é apenas a compilação de informações oficiais que podem alterar a qualquer momento e mudar tudo. E não tem a pretenção de ser uma fonte de consulta jurídica, pois não tem esta qualificação. 

Espelhos retrovisores

Vamos começar pelo item mais corriqueiro, espelhos retrovisores e, de lambuja, vamos mostrar os mais utilizados para os buggies.

  • O que diz a legislação?

A Resolução CONTRAN Nº 573 (íntegra neste link) de 2015 estab elece novas características para os veículos produzidos após 2022. Não afeta diretamente os buggies atuais, mas os fabricantes de buggies precisarão adaptar-se para os veículos atualmente em produção. Não é nada que vá alterar substancialmente o que é feito atualmente, mas tem especial cuidado com os pontos mortos, o que é uma boa medida.

A RESOLUÇÃO Nº 14/98 (íntegra neste link), com várias alterações, ainda está em vigor e determina, como itens obrigatórios, espelhos retrovisores interno e externo. Posteriormente, determinou que os veículos fabricados a partir de janeiro de 1999, deveriam ter espelhos externos de ambos os lados. Ou seja, buggies com documentação de ano/modelo até 1998, estão liberados dos espelhos do lado direito. Mas é uma boa ideia ter este espelho…

  • Retrovisor interno

O Kadron original tinha um espelho de DKW montado sobre o painel e era assim por conta de uma característica interessante do projeto original do Kadron – o parabrisa poderia ser abaixado sobre o capô e, para não ficar sem o espelho interno, a solução encontrada foi esta. Simples e genial, como tudo que o Anísio Campos projetou. Os demais, todos, são espelhos colocados na moldura do parabrisa ou colados no próprio. Mas buggies antigos têm como característica uma armação de parabrisa feita em alumínio. Fixar ali não é tarefa simples, pois é bem estreita. Pode ocasionar a quebra do parabrisa ao furar ou prender o espelho ali. E o peso do espelho vai fazer com que ele vibre muito, pois a área de contato será pequena.

Para colar no parabrisa também é preciso algum tipo de cuidado, já que a vibração é bem maior que um carro “normal”. O Velho’73 tem um espelho de Corcel colado no parabrisa. Este tipo de espelho tem uma pastilha que é fixada no parabrisa e depois o espelho é encaixado nela. Muito prático, mas as colas de parabrisa não conseguiam fixá-lo direito e a solução foi colar a pastilha com Araldite. Funcionou! As colas especiais para parabrisa atuais parecem ser mais eficientes que as antigas. Procura uma vidraçaria de carros para colar teu espelho. Pode dar menos problemas que a Araldite.

A foto a seguir mostra o espelho colado no parabrisa e espelhos de moto na lateral. Estes foram usados de moto Yamaha, mas com um detalhe que dificultou um pouco, pois um deles tem rosca invertida. Para não passar muito trabalho, verifica isto na compra, pois não é fácil encontrar porcas assim. O da CB400 é semelhante e tem as roscas iguais dos dois lados. 

Espelho retrovisor colado no parabrisa
Espelho colado - pala estreita - laterais de moto
  • Retrovisores externos

Há uma ampla possibilidade de espelhos externos no mercado. Os mais utilizados são os de Fiorino, D20 e Kombi (antiga e “nova”). Já vimos os de moto, vamos ver alguns dos outros.

Parachoques dianteiro e traseiro

A Resolução 14/98 fala em obrigatoriedade de parachoques dianteiro e traseiro. Mas também não fala nada à respeito de como deve ser este parachoque, embora para ser homologado o projeto tenha que ter  algumas regras. No entanto, como saber qual é o parachoque aprovado pelo projeto?

Estepe e acessórios correlatos

Este é um dos assuntos mais controversos, quando se fala de buggies. Em primeiro lugar, o que diz a Resolução 14/98, ainda em vigor:

Art. 1º Para circular em vias públicas, os veículos deverão estar dotados dos equipamentos obrigatórios relacionados abaixo, a serem constatados pela fiscalização e em condições de funcionamento:

24) roda sobressalente, compreendendo o aro e o pneu, com ou sem câmara de ar, conforme o caso;

25) macaco, compatível com o peso e carga do veículo;

 26) chave de roda;

27) chave de fenda ou outra ferramenta apropriada para a remoção de calotas.

Posteriormente, a Resolução 540/15 fez alterações e determinou o que valeria dali para a frente, especificamente:

Art.3º O diâmetro externo do conjunto roda e pneu sobressalente deve ser igual ao do conjunto rodas e pneus rodantes.

Parágrafo único. O diâmetro de que trata o caput deste artigo poderá sofrer variação desde que, a montadora garanta, no processo de homologação, que o conjunto roda pneu sobressalente não afeta a segurança do veículo quanto a: 

a) dirigibilidade em função do equilíbrio estático e dinâmico;

b) capacidade máxima de tração do veículo;

c) capacidade de carga do veículo;

d) velocidade estabelecida para o conjunto sobressalente.

Ao final desta Resolução, o artigo que interessa aos bugguistas:

Art. 13 Os veículos das categorias M1 e N1 fabricados ou importados a partir de 1º de janeiro de 2017 devem cumprir os requisitos desta Resolução, sendo facultada sua antecipação.

Por óbvio, os veículos fabricados antes de 2017, ainda estão amparados pela regra antiga, que não determinava tamanho ou padrão para o estepe, apenas que ele esteja presente e possa ser utilizado em situação de emergência.

Por último, para ficar mais clara a situação de uso emergencial, o Planeta recomenda a utilização de cor contrastante da roda estepe e o adesivo com velocidade máxima de 80km/h, nos moldes da nova Resolução.

Os outros itens, macaco, chave de rodas e ferramenta para as calotas são óbvios e devem estar sempre à mão, devidamente fixados em seu local de armazenamento.

Pala de parabrisa

O item mais controverso na vida dos bugguistas é a infame pala de proteção do sol. Mas está na Resolução14/98 que é item obrigatório “pala interna de proteção contra o sol (pára-sol) para o condutor“. Por isto, um agente de trânsito pode complicar a vida do bugguista em uma blitz. E não vai estar errado, apesar da coisa ser absurda.

Então, seguindo a ideia lançada pelo MP Lafer, uma saída é fazer uma pala bem estreita, que pode até ser fixa na posição, pois não é exigido que seja articulada. Buscando fotos do MP Lafer, o Planeta percebeu que não são só bugguistas que não gostam da famigerada pala. Foi difícil achar um MP com ela! Mas o Planeta encontrou, em uma matéria do Estadão. Veja, na foto abaixo, que as palas são bem estreitas, mesmo. Praticamente não tem efeito de “proteger do sol”, mas o burocrata foi atendido. Na foto ao lado, o Velho’73 e sua pala, feita a partir de uma pala de Chevette, que foi a única encontrada à época que poderia ser fixada diretamente na armação do parabrisa, já que não tem a articulação lateral.

Esta pala foi desmontada e a armação externa, feita com arame, foi cortada e estreitada (poderia ter ficado mais estreita). O papelão que serve de armação foi recortado ao novo tamanho, a mesma coisa com as esponjas finas . E um tapeceiro fez uma nova capa com o mesmo material dos bancos. Ficou ótimo, não incomoda no visual e atende a uma obrigatoriedade meio (totalmente) besta. Pelo menos, é apenas no lado do motorista. Foi fixada com rebites, direto na estrutura de alumínio. Com cuidado, para não atingir o vidro… Este tipo de pala deve ser macia e “amassável” para não machucar em caso de acidente.

Lavador de parabrisa

A regra para este item está expressa na Resolução 14/98: não se exigirá “em automóveis e camionetas derivadas de veículos produzidos antes de 1º de    janeiro de 1974″. Ou seja, buggies que tenham ano/modelo de 1973 para trás, estão liberados desta obrigação. Mas se insistir em usar (facilita quem anda em trilha), a melhor opção é o “brucutu” central do Fusca, que atende perfeitamente a necessidade. E tem um belo estilo em gota. Na década de 60, a gurizada roubava para fazer anéis (é mole?), não existia Fusca com seu Brucutu nas ruas. 

Brucutu, o lavador de parabrisa do Fusca
Brucutu, o lavador de parabrisa do Fusca

Iluminação

A nova legislação, apoiada na Resolução 667/17, já está em vigor para algumas coisas. Para outras, principalmente para os fabricantes, ainda vai até 2021. De toda esta coisa, o que nos interessa como bugguistas? Que não podemos alterar o que o projeto original determinou. Ora, em um veículo com ano/modelo dos anos 70, não tem como ter LED original!  Então, melhor seguir utilizando as velhas lâmpadas halógenas (que, por sinal, não existiam na década de 70 também…). Estas coisas são mais uma dor de cabeça para nossos amigos fabricantes de buggies. Tomara que isto não inviabilize esta atividade.

  • Luz de ré

Também obrigatória nos buggies fabricados a partir de 1990, juntamente com os retrorefletores, que são aquelas partes refletivas nas sinaleiras atuais. E, quando obrigatória, não precisa ser dos dois lados e não precisa estar inserida na sinaleira. Pode ser uma sinaleira separada, apenas em um lado, mas acionada apenas quando engatada a marcha-a-ré. Por exemplo, se a sinaleira traseira for de Fusca mais antigo, sem luz de ré, pode ser colocada uma separada.

O texto da Resolução 14/98 fala assim: “lanterna de marcha à ré, de cor branca”. Lanterna, no singular, logo, pode ser só uma. A Res 667/17 já estabelece que pode ser uma ou duas (uma unidade obrigatória, uma opcional), de cor branca, com sistema de ligação que somente pode ser acionada com a ré engatada e a chave de ignição ligada.

  •  Farois dianteiros

A Resolução 14/98 apenas indica que devem ser brancos ou amarelos, mas a regra da nova Resolução muda para branco apenas.

Res 667/17 e anexos,  que vigora a partir de janeiro de 21, trás muitas alterações no sistema de iluminação dos veículos. Como sempre, o que está nos projetos em vigor não são afetados, ou seja, não vai ser preciso alterar nada nos veículos que já estão licenciados. Mas é bom saber o que pode e o que não pode. Esta Resolução  limita em oito faróis de instalação e uso simultâneos, independente de sua finalidade. Os faróis não podem ter qualquer tipo de obstrução que não tenha sido colocada pela própria fábrica (películas estão proibidas). Também não pode alterar as lâmpadas por potência ou tecnologia diferente das do fabricante (Neon, LED, nem pensar, a não ser que o fabricante tenha colocado).

Faróis altos (dois ou quatro) e baixos (dois), na cor branca, faróis de neblina dianteiros (dois) na cor branca ou amarela, com altura mínima de 25cm e máxima de 80cm e não pode estar acima do farol baixo. Os faróis de neblina devem ter ligação independente dos faróis alto e baixo e deve ter luz de indicação no painel.

  • Lanterna indicadora de direção (pisca-pisca) e sinalização de advertência (pisca-alerta)

Cor âmbar nestas sinalizações. Da mesma maneira que em outras situações, onde tiver a cor vermelha na traseira e isto for original do projeto, continuará valendo (caso dos Opalas mais antigos, por exemplo).Afastadas pelo menos 4cm dos faróis de neblina ou luz baixa e a, no máximo, 40cm da parte mais externa do carro.

Quanto à sinalização de advertência, é obrigatória e deve acionar as lanternas indicadoras de direção simultaneamente e precisa ter um indicador interno que está acionado.

  • Lanterna de freio

Da cor vermelha, como é atualmente.

  • Lanterna da placa

Branca, como é atualmente. Aqui mais uma advertência. Não há nenhuma liberalização para colocar LED nesta lanterna, o que pode ocasionar multa, caso constatado…

  • Lanternas de posição

Dianteiras brancas, traseiras vermelhas.

  • Lanterna de neblina traseira

Vermelha

  • Farol de rodagem diurna

Este é um tópico que vai merecer alguma reflexão, pois coloca como obrigatório em todos os veículos automotores. Ora, como fazer isto em um carro que não tinha, sem alterar o sistema de iluminação original? Acho que vai dar muita conversa sobre isto, ainda.

  • Retrorefletores (catadióptrico) traseiros

Vermelhos. Se já tiver na sinaleira traseira, não são necessários. Senão, tem que colocar em algum ponto, um de cada lado, retangulares (triangulares são exclusivos de veículo de carga). Não podem estar a mais de 40cm da borda mais externa do carro. Na altura, entre 25cm e 90cm. Se a carroceria não permitir, pode ir até 1,20m. Mas a Resolução anterior não determinava a obrigatoriedade para veículos fabricados até 1998

Cintos de segurança e apoio para cabeça

Houve muita confusão quando se estabeleceu a obrigatoriedade do encosto de cabeça. A primeira Resolução, ou mal entendida ou mal redigida, dava a entender que todos os veículos teriam que ter o tal encosto de cabeça.

Em primeiro lugar, um alerta. Se no documento do buggy tem a informação de cinco passageiros, tem que ter cinco cintos de segurança. O Velho’73 manteve esta característica do veículo doador, embora no banco traseiro mal caibam dois. A saída foi colocar três cintos lá atrás, mesmo que o central nunca vá ser usado.

A Resolução 44/98, coloca como obrigatória o encosto de cabeça nas portas próximas às portas, em veículos fabricados a partir de janeiro de 1999. Logo, buggies de 1998 para trás, não precisam dos encostos de cabeça. Os demais devem ter saído de fábrica com o equipamento. Cuidado ao alterar bancos, portanto!

A Resolução 518/15 também fala sobre os cintos de segurança e os encostos de cabeça e é a mais atual. Obriga o cinto de três pontos e o encosto de cabeça para novos projetos em três anos e para os atuais em cinco anos, em todos os bancos, mesmo os do centro. Ou seja, os buggies atualmente em fabricação, deverão ter estes requisitos cumpridos ano que vem (2020). No item 3.1.1.4 do anexo desta Resolução, uma informação importante – “Nos automóveis esportivos, do tipo “dois mais dois”, ou nos modelos conversíveis, é facultado o uso do encosto de cabeça nos bancos traseiros”.

Ainda sobre este assunto, a Resolução 278/08 proibiu o uso de qualquer acessório que modificasse ou atrapalhasse o uso dos cintos de segurança. Logo, aqueles clipes e almofadas usadas em cintos de segurança estão terminantemente proibidos.

E, como todas as Resoluções do Contran que se referem à segurança, os veículos fabricados antes das datas referidas não precisam enquadrar-se nelas, já que fazer alterações na fixação dos cintos e na estrutura dos bancos não é recomendável para a segurança.

Extintor de incêndio

Este é um acessório que já deu o que falar. Mas, como falamos de buggies, veículos de fibra, com mecânica VW (aquela que tem o carburador em cima do alternador/dínamo…), é bom ter um sempre à mão, devidamente fixado e em condições de uso.

Primeiros socorros…

Ok, aquele kit que era obrigatório era absolutamente ridículo. Mas, novamente, em um carro que vai para a trilha, para as dunas, longe de casa… é bom ter um kit decente sempre por perto. Monta o teu! 

Outras coisinhas

Velocímetro, limpador de parabrisa, buzina, freio de mão também são itens obrigatórios. Fica atento!

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GledstonSamuel CostaBecoDiego Bernardo Recent comment authors
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Diego Bernardo
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Estepe?

Samuel Costa
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Samuel Costa

Parabéns, excelente matéria

Gledston
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Gledston

E o estepe? Já q tem alguns não tem tem aonde ficar. E qual seria o tamanho correto, já q qualquer um q seja usado seria alteração das características do veículo?