Cambão – Tipos e Usos

O Problema e a Solução

O Problema

De repente, a família cresce ou, simplesmente, o bugguista não está a fim de ralar na estrada para ir para a praia, a serra ou seja lá onde for o destino. Pode ser apenas uma questão de conforto ou necessidade de  levar mais pessoas ou mais bagagem.

Como fazer este transporte de maneira segura e com baixo custo?

A Solução

Claro que quem tem buggy conhece a solução mais adequada, que é o uso do cambão para tracionar o buggy para qualquer lado. Mas existem aspectos que devem ter a atenção do bugguista para que haja segurança no trajeto. Segurança é a palavra chave, sem os cuidados necessários, pode ocorrer acidentes com o buggy e com as pessoas e não queremos isso.

A Legislação

Primeiro, vamos ver o que diz o Código Brasileiro de Trânsito à respeito desta matéria. Em seu artigo 236, das infrações, “Rebocar outro veículo com cabo flexível ou corda, salvo em casos de emergência” Infração – média; Penalidade – multa. Ou seja, a proibição é apenas para o reboque com corda ou qualquer coisa flexível. O CBT também não faz referência expressa ao uso do cambão, logo não é proibido.

A Resolução 197, de 2006, valendo para todos os veículos fabricados um ano após a publicação (2007), regulamenta o dispositivo de acoplamento mecânico para reboque (engate) utilizado em veículos com PBT de até 3.500kg. As regras:

  • No manual do veículo deve vir especificado: I – especificação dos pontos de fixação do engate traseiro; II – indicação da capacidade máxima de tração – CMT;
  • Plaqueta no engate, com as informações: uma plaqueta inviolável com as seguintes informações;
    I – Nome empresarial do fabricante, CNPJ e identificação do registro concedido pelo INMETRO;
    II – modelo do veículo ao qual se destina;
    III – capacidade máxima de tração do veículo ao qual se destina;
    IV – referência a esta Resolução;
  • O que interessa aos que tem veículos mais antigos:
    Art 6º Os veículos em circulação na data da vigência desta resolução, poderão continuar a utilizar os engates que portarem, desde que cumpridos os seguintes requisitos:
    a) qualquer modelo de engate, desde que o equipamento seja original de fábrica;
    b) Quando instalado como acessório, o engate deverá apresentar as seguintes características: esfera maciça apropriada ao tracionamento de reboque ou trailer; tomada e instalação elétrica apropriada para conexão ao veículo rebocado; dispositivo para fixação da corrente de segurança do reboque; ausência de superfícies cortantes ou cantos vivos na haste de fixação da esfera; ausência de dispositivos de iluminação (esta parte foi posterior).
    Isto quer dizer que carros que tenham ano/modelo inferior à 2007 apenas precisam atender as regras definidas (sem cantos vivos/cortantes, tomada, local para fixar a corrente, bolota maciça).

A habilitação

Haviam controvérsias sobre a habilitação de um veículo com quase três toneladas tracionando um buggy de 700kg. A soma daria mais que os 3.500kg da catergoria B. Mas a nova redação do CTB, em seu artigo 143, soluciona a dúvida. A habilitação “B” é suficiente.

Considerações sobre isto:

  1. veículos mais antigos (o que vai tracionar), podem ter cambão sem o registro e os manuais sem a informação da CMT (Capacidade Máxima de Tração). Talvez se consiga esta informação na internet e imprimi-la não é má ideia);
  2. O veículo rebocador tem que ter o engate com todas as coisas exigidas. Alguns colocam uma capa de aço inox para cumprir a exigência de não ter cantos vivos, mas o melhor é acomodar isso na barra de tração, mesmo.
  3. Veículo com as rodas no chão precisam estar com documentação em dia. Documentos atrasados do buggy podem dar multa, portanto.
  4. Instalação elétrica adequada, de maneira que todo o sistema de iluminação e sinalização do carro trator seja replicada no buggy.
  5. Colocação de corrente de segurança, no suporte e no buggy. Embora não esteja expresso na legislação, o Planeta recomenda que a corrente seja fixada no buggy e não no cambão.
  6. Há recomendações de não levar ninguém no veículo tracionado, mas isto não está expresso em nenhuma resolução, portaria ou lei. Mas o bom senso define que não é conveniente. De qualquer maneira, se estiver sentado ao volante, vai ter que ser habilitado, usar o cinto..
  7. Não há necessidade de habilitação superior à que é exigida para o veículo que irá tracionar o buggy.

Tipos de Cambão

Em primeiro lugar, o bugguista precisa conhecer os tipos de cambão que podem ser instalados em seu buggy e a maneira correta de fixação. Vamos a elas

  • Cambão Isolado

Este é o cambão que fica separado do buggy, guardado na garagem enquanto não é usado. A vantagem é óbvia, não temos aquela estrutura na frente do buggy. A desvantagem também é óbvia, ele não está disponível longe de onde está guardado…

Ao contrário do que muitos pensam, este é um sistema bem seguro, que é fixado no tubo inferior da suspensão dianteira, através de pinos de segurança. Com em qualquer tipo de cambão, precisamos ter as correntes de segurança e, neste modelo, estas seguranças precisam estar colocadas na própria suspensão do Buggy, além do ponto de ancoramento (obrigatório) no suporte da bolota do carro que vai tracionar o buggy.

Este tipo de cambão articula muito bem na suspensão do buggy, fazendo com que seja muito tranquila a viagem.

  • Cambão Articulado

Este é o tipo mais comum, atualmente. Fica permanentemente fixado ao buggy e pode ser  dobrável, para reduzir a altura. Há um tipo que não articula no meio e fica elevado na frente do carro. Muito usado em gaiolas, mas não é o tipo que o Planeta recomendaria, por prejudicar a visão. As fotos a seguir são do buggy do Netto Mietto. Reparem na corrente encapada (menos barulho) e que está presa à suspensão do buggy e não ao cambão

Dirigindo com cambão – Amadeu

O texto a seguir foi enviado pelo Amadeu, que tem prática em rebocar seu buggy com segurança. As dicas dele são primorosas e podem auxiliar quem é marinheiro de primeira viagem, ou que está rebocando seu buggy pela primeira vez. Vamos ao texto.

Vou tentar falar um pouco sobre como eu traciono meu Buggy. Já fiz isto com um Monza 2.0 e observei que em estrada plana tudo ia bem, mas nas subidas o mesmo “chorava” e às vezes chegava a esquentar. Todavia nunca deixei ferver. Agora estou usando uma Toyota Hilux e a coisa ficou bem mais fácil. Verifico bem os freios, o engate, a munheca, a tomada de luz (lanterna, luz de placa, pisca e freio), etc. 

Uso uma corrente de segurança envolvendo a munheca e amarrada no suporte do engate e, principalmente, muita prudência, bom senso e atenção. É preciso lembrar que, ao rebocar o Buggy, o seu carro se transformará num veículo mais longo e mais lento e estará arrastando um peso de meia tonelada (ou pouco mais) e, neste caso, uma freada brusca certamente não seria bem sucedida.

Cuidado ao dirigir em descidas

No plano vai tudo bem, mas na descida o Buggy “empurra ” o carro-tração e fica um pouco mais demorado frear e, por isto, é preciso manter distância do carro à sua frente. É aconselhável descer uma ladeira ou uma serra com o carro engatado numa marcha de média velocidade e usar o freio com parcimônia. Se o motorista usar apenas o freio, este logo se aquece e vai perdendo eficiência. Numa ladeira isto é pouco evidente, porém numa serra poderá deixá-lo sem freio. Devemos usar o câmbio e o freio, em conjunto. Na subida, devemos observar a temperatura do motor e se começar a esquentar é melhor parar por alguns minutos. Numa auto-estrada plana, de duas pistas e sem trânsito pesado, é possível ir a 80-100 Km/h. Numa serra, ladeira ou curva é prudente diminuir.

Ser visto por outros motoristas

É preciso ficar bem atento aos outros carros, pois muitos motoristas se atrapalham (alguns até se assustam) com um carro sendo tracionado por outro carro. O conjunto carro-tração e Buggy funciona como um veículo longo (com o dobro do comprimento) e isto não deve ser esquecido, principalmente nos cruzamentos e nas ultrapassagens.

Alguns motoristas são distraídos e podem ficar em dificuldades quanto estão nos ultrapassando ou vice-versa, principalmente se a pista for única. É boa prática sinalizar com o pisca-pisca que você vai iniciar a ultrapassagem, ou avisar ao veículo à ré se ele pode ou não lhe ultrapassar. Ao entrar numa curva é prudente já ter diminuído a velocidade porque uma derrapagem seria um desastre. Não se deve colocar muita carga no Buggy, para aproveitar espaço, pois ele poderia ficar muito pesado e tudo ficaria mais difícil. Coisas volumosas e leves (roupas, travesseiros, colchonetes) podem ir no Buggy, mas coisas mais pesadas devem ir no carro-tração, dentro do limite do bom senso.

Visibilidade e planejamento

A visibilidade é importante e é fundamental controlar a traseira e os flancos com os espelhos e nenhuma carga deve atrapalhar a visão. Ao chegar numa cidade ou mesmo num posto de gasolina, é bom visualizar como estacionar pois dar marcha-ré com o Buggy engatado é muito difícil, quase impossível. O melhor é planejar bem suas manobras ou desengatar e manobrar cada carro separadamente.

Após cada parada é bom conferir a munheca, a corrente de segurança e os pneus. Eu não aconselho levar ninguém como passageiro no Buggy pois, em caso de emergência, o mesmo teria pouco ou nenhum controle sobre o carro.

Costumo trafegar com as lanternas ligadas, mesmo durante o dia para que o conjunto carro-tração/Buggy seja bem notado pelos outros motoristas e pedestres (Nota do Planeta – este texto foi escrito antes da obrigatoriedade de circular com luz baixa ligada. Mas atenção, no caso do veículo trator ter a tal luz diurna, convém ligar a luz baixa, para a sinalização no buggy, também). Sempre uso o pisca-pisca para virar à direita ou esquerda e no caso de lombadas ou trânsito lento, vou pisando algumas vezes no freio para que as luzes de breque se acendam e sinalizem a freada. Os motoristas agradecem estes avisos, ficam curiosos com o reboque e procuram não atrapalhar, mas sempre existe o imprudente, o pouco civilizado, o egoísta e precisamos ter cautela com eles.

Mas viajando com prudência é perfeitamente possível levar o Buggy aonde você quiser. Eu já tracionei meu Buggy inúmeras vezes e nunca tive nenhum acidente ou susto.

As fotos da galeria abaixo são do buggy do Amadeu, mostrando em detalhes a segurança do acoplamento.

Finalmente

Tenha muito cuidado ao realizar este tipo de procedimento. Acidente nestas condições terá muitos agravantes e poderá comprometer teu passeio e a segurança de muitos.

As paradas devem ser programadas e, em todas elas, deve ser conferido o acoplamento, a corrente de segurança e a sinalização. Se tudo estiver de acordo, vá em frente!

Não esqueça que a documentação do buggy precisa estar em dia, todos os itens obrigatórios devem estar presentes.

Não é necessária habilitação especial para realizar este tracionamento.

Uma página muito interessante, que não trata de buggies, mas de tracionamento de trailers é a “Nas Estradas do Planeta“. Excelentes dicas de condução, mostra as ligações elétricas da tomada e mais algumas coisinhas. Vale a pena a visita.