Análise do EMIS
Emis cearense do Evilásio, nosso eterno "Bugólatra". Faróis de Fiat 147.

Análise do EMIS

Um pouco de história

Nossa análise do Emis começa em 1980, no Rio de Janeiro, quando o empresário Eduardo MIranda dos Santos resolveu desenvolver seu projeto de buggy. Paulo Renha, o engenheiro que desenvolveu o triciclo Renha e o “Formigão”, projetou o chassi do Emis, completamente diferente do que existia até aquele momento, mas mantendo o mesmo estilo do chassi do Fusca, em forma de túnel.

No logo original do Emis, o pingo do “i” é o logo da Renha.

Análise do Emis - Logo
Logo original do Emis

O Triciclo Renha, projetado e fabricado por Paulo Renha, tem linhas que lembram a carroceria do Emis, principalmente na traseira. E ali está o logo dele, no encosto.

A foto a seguir é da revista AutoEsporte nº 159.

Triciclo Renha - AutoEsporte 159
Triciclo Renha 1978

Um chassi fabricado a partir de duas vigas de ferro em “U”, soldadas de forma a formar um retântulo que servia de tunel central. Em parte, semelhante ao do próprio Fusca, que também é formado por um túnel central e estruturas nas extremidades para prender os agregados da suspensão e do conjunto motor e câmbio.

Com este chassi e uma nova suspensão traseira que ignorava as barras de torção do Fusca e utilizava molas helicoidais, o carrinho já mostrava sua disposição mais esportiva que o uso em dunas e praias.

A Emis manteve-se no mercado carioca até o ano de 1988, quando foi transferida para a Emisul, então representante da marca em Porto Alegre. Neste momento, algumas alterações foram feitas, mas mantendo o propósito inicial de carro esportivo.

Há alguns anos, a Emisul parou de produzir buggies e mudou-se para Santa Catarina, onde produz apenas barcos, atualmente. Segundo o site Lexicar, em 2010 havia ainda a informação de buggies novos, com motor Fox 1.4 e chassi tubular. Quase… veja como foi esta série mais adiante, neste post.

Em algum momento da empresa carioca, 50 unidades foram montadas no Ceará, com alterações no capô, faróis embutidos, portaluvas, console central e mais algumas coisinhas para ficar parecido com os buggies cearenses. O parabrisa também foi aumentado na altura e, provavelmente, os bancos também foram levantados.

Apenas como curiosidade, em 1987, a Emis lançou o Emis Jr, um buggy infantil exatamente igual ao “sênior”. Parece que teve bastante sucesso à época. Na foto abaixo, um destes modelos estava em Pelotas, há alguns anos. Ao volante, o filho de um amigo do Buggyman, o Eduardo Medina.

Mini-Emis
Mini-Emis
Análise do Buggy Emis

Análise do Emis

A Carroceria

O Emis teve, basicamente, três modelos ao longo de sua existência. O primeiro, fabricado de 1980 até 1983,  levava mais à sério o conceito de carro esportivo, que o de buggy. Projetado para dois lugares, com perfil baixo, parabrisa bem inclinado e baixo, sem capô e sem banco traseiro, onde era colocado o estepe, sob uma capa. Os bancos dianteiros eram praticamente colados no assoalho.

A carroceria é um pouco mais larga que os buggies da época, resultando em mais espaço interno e a possibilidade de rodas bem largas, sem sair dos paralamas. No entanto, apesar de ter espaço para isso, o projeto não previu nenhum espaço para guardar objetos sob o banco traseiro. Aliás, nem a bateria, que está localizada na lateral direita. Por outro lado, esta opção permitiu o assento traseiro praticamente no mesmo nível dos bancos dianteiros.

Neste primeiro modelo, o capô era uma peça separada, já que não havia a abertura que seria feita um pouco mais adiante e precisava ser separado para dar manutenção ao tanque de combustível, principalmente. 

Em uma jogada publicitária, a Empresa declarava ser o primeiro buggy monobloco a ser construído no Brasil. Na verdade, foi o primeiro buggy a ter a carroceria em uma única peça, incluindo o assoalho, mas separada do chassi o que, obviamente, não o transformava em um monobloco. No segundo modelo, o capô passou a ser integrado na carroceria e apenas a tampa era separada. 

Aliás, é bom ressaltar que a carroceria do Emis era muito bem feita, com um bom acabamento e sem as ondulações muito comuns em carros de fiberglass.

O segundo modelo já colocou o capô e, consequentemente o estepe, na frente do carro e o banco traseiro, podendo ter sido homologado para quatro ou cinco passageiros. Existem documentos com as duas possibilidades. A explicação mais provável é que o projeto com o chassi próprio teve homologação para quatro passageiros. Já o que era montado também com o chassi VW, permanecia com a capacidade do carro doador, normalmente cinco passageiros.

O terceiro modelo, já fabricado em Porto Alegre a partir de 1988, apresentava os faróis embutidos na carroceria. Dois maiores nas extremidades e dois menores ladeando o local da placa. Em 2010, algumas unidades foram fabricadas com o motor de refrigeração líquida, o que exigiu uma pequena alteração na frente do Emis, para a colocação do radiador.

 

Monobloco...
Primeiro modelo do Emis sem abertura do capô e apenas para dois lugares. Este já estava com faróis duplos, mas os primeiros tinham apenas um de cada lado.

A Lateral

A lateral do Emis não foge muito do estilo dos buggies californianos, a não ser por um aspecto: as caixas das rodas são pequenas, impossibilitando o uso de grandes pneus, sem fazer alguma alteração na fibra e/ou na altura da suspensão. Além disso, a silhueta é bem baixa.

Isso denota a intenção clara de fazer um carro esportivo, mais que um buggy. Sensação que permanece quando se observa o estilo de suspensão traseira, mais apropriada para um uso no asfalto. Tem lógica, pois foi projetado para o Rio de Janeiro!

No mais, a lateral do buggy, suas linhas, têm o que todos os buggies possuem, um santoantônio tubular duplo e parabrisa reto, embora mais inclinado para trás e bem mais baixo que seus irmãos da época. 

Na lateral do Emis, ao contrário do Bugre II, do BRM M3 e do Glaspac, que já analisamos aqui no Planeta Buggy, não há peças soltas, com a lateral integrada à carroceria, dando um acabamento muito melhor e também evitando os barulhos naturais de peças presas por parafusos, como é o caso dos outros, originalmente.

Em 1984, era oferecida, como opcional, uma capota com portas (janelas) estilo asas de gaivota. Em 1989, já na produção gaúcha, o Emis ganhou uma versão com portas de verdade. Soluções interessantes mas que exigem um olhar um pouco menos convencional, quando se trata de buggies.

A Frente

Na frente, o Emis destaca seu estilo esportivo. Capô e paralamas bem baixos, parabrisa também baixo e faróis sob os paralamas, com uma silhueta que lembra um carro esportivo.

A abertura do capô, no segundo modelo carioca, era no sentido para trás, com as dobradiças próximas do parabrisa. O encaixe é muito bem feito e as linhas são suaves.

Já no modelo gaúcho, houve a inversão da abertura do capô e o encaixe dos faróis na própria carroceria. Até aquele momento, os faróis eram presos no parachoque dianteiro. Primeiro, apenas um par, depois dois pares. O ruim é que estes faróis foram colocados fixos na carroceria, sem possibilidade de regulagem.

Nos Emis cariocas, é bom colocar algum tipo de segurança para impedir a abertura do capô em movimento. Alguns colocam as borrachas que prendem o banco traseiro do Fusca, mas não são as coisas mais bonitas do mundo… a solução no Emis do Márcio é a mais interessante que o Planeta conhece e pode ser vista em detalhe em foto da galeria a seguir.

A Traseira

A traseira do Emis mostra a simplicidade característica dos buggies. Sem muitas linhas, o motor não fica exposto, por conta de uma espécie de veneziana que o cobria quase integralmente. As lanternas de Kombi já tradicionais nos buggies da época, completavam o visual da traseira.

Repare que a parte superior bem nivelada e ampla é praticamente uma mesa para usar na beira da praia!

Um pequeno capô ajuda a ter acesso ao motor e o parachoque lembra uma gaiola de proteção.

Nos exemplos abaixo, o detalhe da presilha de segurança no capô traseiro e as lanternas adaptadas do Emis do Ricardo Cruz, no site antigo do Planeta.

O Painel

O painel do Emis é bastante simples, mas tem uma boa característica, que é uma pequena curva, que permite a leitura mais fácil dos instrumentos, pois ficam voltados para o condutor. Além disso, é grande o suficiente para colocar instrumentos adicionais.
Em alguns modelos, aparece um portaluvas na frente do passageiro. No entanto, o projeto original não prevê esta peça por ali, que poderia ser adaptada, a pedido do cliente. Inclusive, alguns foram feitos após a fabricação do buggy.

Na última foto, o detalhe do volante “saca rápido”, que foi mencionado na página sobre anti-furto em buggies.

O Chassi

Projetado por Paulo Renha, o chassi do Emis é um belo caso de aplicação dos recursos da época para montar um buggy. Bem simples, mimetizando o próprio chassi do Fusca, com o túnel central.

Para os que não sabem, o chassi do Fusca é apenas o túnel. O assoalho, apesar de fazer parte da plataforma, não é o chassi, em si. Todos os agregados estão presos a este “túnel-chassi”, assim como no chassi do Emis.

A Emis colocava duas possibilidades ao comprador. Ou um veículo totalmente montado por eles, com o chassi próprio, ou montava a partir de um carro doador do próprio cliente. Neste caso, o chassi era encurtado e mantido com sua numeração e ano de fabricação. Estes modelos têm as duas plaquetas de identificação, da VW e da Emis. Os que foram montados por eles, com o chassi próprio, obviamente, têm apenas uma plaqueta.

Na galeria a seguir, as duas primeiras fotos mostram o chassi próprio do Emis, com sua suspensão com molas helicoidais e as duas últimas, do chassi do Emis do Márcio Glielmo, que foi feito a partir de um TL 1971.

Plaqueta original do Emis do Márcio, montado sobre chassi TL VW
Plaqueta original do Emis do Márcio, montado sobre chassi TL VW

A Última Série

Em 2010, foi feita a última série do Emis na fábrica de Porto Alegre. Era um buggy com motor 1.4, com refrigeração líquida e suspensão de Kombi. A galeria de fotos a seguir, mostra a montagem de alguns destes modelos na fábrica. Nestes últimos dá para ver que, originalmente, o Emis não tem portaluvas, mesmo. E que não era um chassi tubular, mas o mesmo de sempre, com tubos “U” soldados para fazer a longarina central.

A segunda galeria mosta um dos últimos exemplares, na loja Farina Automóveis, de Porto Alegre. Ainda não estava com a veneziana cobrindo o motor, mas mostra uma suspensão bem mais alta e o radiador na frente.

Publicidade

A Emis tinha boas publicidades na sua época, sempre destacando as características únicas de seu modelo. Algumas estão abaixo.

Galeria de Emis no Planeta

Além dos Emis que estão na página antiga, alguns Emis já fazem parte do “Novo Planeta”.

Nossa primeira galeria é uma homenagem ao nosso saudoso “Bugólatra”, José Evilásio Gomes Chaves, que por muitos anos foi um dos mais ativos consultores do Planeta, sendo o que mais apresentou postagens no forum do Forumeiros. Abaixo, algumas imagens do Grande Vila e seu amado Emis nordestino.

Este é o primeiro Emis a ter seu boxe na Garagem Virtual do Planeta Buggy. É um Emis que já tem história até na participação de um Rally (no qual foi vencedor na categoria amador!). Pertence ao Márcio Glielmo, que foi um parceiro que ajudou muito na pesquisa e elaboração desta página

Na galeria a seguir, o Emis do Marlon Von Rohrbach, que ajudou demais na composição desta página. Está faltando ir para a Garagem do Planeta!

Colaboraram neste post: Marlon von Rohrbach, Márcio Glielmo e Daniel Farina.

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Marlon

Pô Carlão, legal demais!!! Sou eu quem agradeço, meus parabéns!!!

Marlon

Imagine, és o mestre dos buggies, não precisas de ninguém pra isso!!!

Alcindo Braga Neto

Gosto muito do Buggy Emis e gostaria de adquirir um, mas tenho dificuldades com o pe esquerdo e queria saber da possibilidade em adaptar um cambio automatico no modelo 1.6 ou 1.4 a agua. Whatts (41)98405-1890

Alcindo Braga Neto

talvez um cambio I motion ?

Alcindo Braga Neto

Antes de desligar, parabens a todos pela fantastica analise, vai ajudar muito na minha aquisicao. Obrigado e forte abraco a todos.