Tralhas na Trilha
Menon do Amadeu

Tralhas na Trilha

O que levar em uma trilha, passeio na praia ou outro lugar mais afastado da civilização? Em primeiro lugar, nunca vá sozinho a lugares muito afastados, porque se houver uma pane mecânica, poderá ser bem difícil sair da enrascada! Dois ou mais buggies, equipados com cambão, ou com cabos de tração, são a garantia de que poderemos voltar para casa. Mas muito do que se pode fazer depende do que temos em nosso poder, no próprio carro. Claro, esta não é uma lista definitiva e pode ser alterada para adaptar-se a cada caso. 

Mas tu não sabes nada de mecânica? Não importa, sempre podemos encontrar alguém que entenda, mas que não tem as ferramentas ou peças adequadas. Por isso, garanta que estas coisas estejam sempre à mão.

Tralhas na Trilha são pequenas coisas que o Planeta sugere ao buggista ter sempre à mão, quando se afastar da “civilização”.

Em primeiro lugar, as coisas para o buggueiro

Água, muita água (para o buggista, não para o buggy – exceto se tiver motor AP ou outro que tenha refrigeração líquida) e alguma coisa para comer. Óbvio? mas precisa estar na lista. Frutas, barras de cereais e sanduíches são ótimas pedidas.

Papel toalha/higiênico, sabonete, material de higiene, tudo acomodado em sacos tipo zip-lock, para evitar contaminações.

Primeiros socorros – aqueles kits ex-obrigatórios, acrescentando: curativos adesivos (band aid), iodo ou similar; alguma pomada para queimadura, tesoura.

Óculos de proteção (podem ser de grau ou de sombra), porque não é agradável um inseto bater no seu olho, a 60km/h ou mais, ou até mesmo areia, é muito desagradável.

Um repelente de insetos pode ser uma boa pedida, dependendo do lugar que você vá. E protetor solar fator máximo! Com vento e sol, você não percebe que está sendo fritado!

Chapéu ou boné. O melhor é o estilo australiano, pois não voa facilmente, como o boné. Calção ou maiô. E, claro, toalhas de banho. Mesmo que você não esteja na beira do mar, pode aparecer um belo arroio pelo caminho. Acondicione estas coisas em uma mochila, sempre à mão. Leve alguns sacos plásticos para colocar a roupa molhada, depois.

Botas de cano longo (couro ou borracha) podem ser uma boa, se você for para uma trilha no meio do mato ou em locais com muito barro (ou cobras). Existem modelos de borracha que são bem flexíveis e acomodam-se em qualquer cantinho do buggy.

Luvas para o trabalho pesado e luvas de latex ou tecido para serviço leve e não sujar as mãos. Protegem suas mãos se for preciso remover algum obstáculo da pista ou para algum trabalho “mais sujo”.

Se não usar capota, uma boa solução para a chuva é o uso de roupas de motociclistas, daquelas baratas que cabem em uma pequena sacola.

Mas não esqueça de uma capa impermeável para o celular! E, se levar câmera fotográfica, uma bolsa adequada para ambientes hostis…

E como levar?

Para acomodar as coisas de alimentação, uma caixa térmica é a melhor solução. O gelo pode ser feito em casa, em garrafas pet pequenas, acomodadas no fudo da caixa. Ao degelar, ainda podem ser bebidas. E não faz uma lambança como o gelo solto. Para sanduíches e outras coisas, nada melhor que caixas plásticas tipo Tupperware (ou caixas de sorvete) ou mesmo os Zip-Locks.

E não esqueça de sacos de lixo para não deixar nada pelo caminho. Usando o lema dos espeleologistas e adaptando-o para trilhas, dunas e passeios, “Da natureza, nada se tira além de fotos, nada se deixa além de pegadas, nada se leva além de saudades, nada se mata além do tempo…

Agora, para o buggy

Ferramentas: macaco (sanfona ou hidráulico); pedaço de madeira para servir de apoio ao macaco em situações extremas (barro e areia); chave de rodas; chave de velas; chaves de fenda e phillips (existem umas combinadas muito boas), inclusive uma de cabo curto para regular o carburador; chaves de boca/estrela ou conjunto de soquetes (7-32mm); chave “L” 13mm para tirar a bomba de gasolina; alicates de pressão e normal; martelo; canivete ou faca; pá/enxada desmontável. Para quem não tem um guincho, uma talha mecânica. Ocupa um pouco de espaço, mas é uma boa. Outra opção são os macacos hi-lift, que também podem ser usados como talhas; um conjunto de correntes para os pneus traseiros, se for pegar uma trilha no barro. Luizinho acrescentou algumas ferramentas a este “arsenal”: calibrador manual; pequeno compressor elétrico para encher pneus. Não menos importante, um jogo de cabos para fazer ligação entre baterias (a popular “chupeta”) e um extintor, que não é mais obrigatório, mas necessário.

Peças & tralhas: correia do dínamo/alternador; tampa do distribuidor; rotor; platinado; condensador; bomba de gasolina, bobina (pode ficar presa ao lado da “oficial”), pelo menos um cabo de vela ( o maior) e uma vela; fusíveis; pedaços de fio e arame; fita isolante (dois rolos, pelo menos); fita adesiva plástica (do tipo “silver tape”- não crepe); cola silicone; dois litros de óleo; líquido de freio; cano plástico de combustível; cabo de acelerador; cabo de embreagem; lanterna (com pilhas!!); fósforos/isqueiro; óleo spray (WD40 serve até para secar a tampa do distribuidor); corda de nylon/tira para reboque com tamanho e capacidade suficiente para rebocar seu buggy; fusíveis. 

E para levar as tralhas?

Estas coisas não ocupam muito espaço, podendo ser utilizada uma caixa de ferramentas ou uma sacola de tecido resistente (faz menos barulho), embrulhando-se as peças e ferramentas separadamente, com pedaços de pano (sacos comprados em supermercados para pano de copa são excelentes e baratos e vão ajudar na limpeza após os eventuais serviços), algumas lâmpadas (farol, pisca, freio – verifica o tipo das que  estão instaladas no buggy).

Dicas de “sobrevivência”

Atolou e tá difícil de sair? Usa os tapetes de borracha para conseguir melhor aderência e sair do sufoco. A pá desmontável do kit ajuda bastante a preparar o terreno para desatolar.

Estourou o cabo do acelerador? Coloca um calço sob a alavanca, no carburador. Vai ficar acelerado quando parado, mas vais andar. Apertar o parafuso da regulagem de lenta também pode ajudar. Cuidado na arrancada!

Rompeu um dos canos do freio? Solução um pouco arriscada, mas vale em situações de isolamento. Corta o tubo que rompeu com o alicate e dobra a ponta para conter o vazamento (o alicate que está no kit faz o serviço). Completa o fluído de freio e faz uma sangria de emergência. Vais andar com uma roda sem freio, mas vais ter algum freio. Dirige com cuidado até a civilização e providencia o conserto correto.

Pifou a bomba de combustível? Com um caninho de combustível (está no kit) e uma garrafa qualquer, coloca em nível acima do carburador e faz uma ligação direta entre a garrafa e a entrada de combustível do carburador. Com a fita adesiva do kit, prende o tubo na garrafa.

Tudo bem preso dentro do buggy! Bateria, extintor, caixa térmica… em caso de acidente, qualquer destas coisas pode se transformar em um aríete que poderá causar ferimentos nos ocupantes do buggy.

Quer saber mais sobre manutenção de buggies? Visita esta página aqui do Planeta.

E, se precisar rebocar teu buggy, veja o que o Planeta sugere, nesta página. Considere colocar uma bolota de tração e um cambão em teu buggy, caso não tenha. Em trilhas, é muito bom poder contar com os parceiros, mas tem que estar preparado.

Este texto foi montado com o apoio de vários buggistas, ainda no site antigo. Amadeu de Amparo-SP, Luizinho de Fortaleza e Cláudio Henrique de Natal-RN, foram os que deram as maiores contribuições.

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