Análise do BRM M3
Pequeno capô do motor

Análise do BRM M3

Os Buggies Clássicos do Planeta

A Análise do BRM M3 está sendo apresentada pelo Planeta Buggy, porque ele é um dos Clássicos do Planeta.

O Planeta Buggy tem uma classificação muito própria de quais são os buggies clássicos brasileiros. É uma classificação que está sujeita a alterações ao longo do tempo, sempre que houver convencimento de que existem mais buggies que merecem ser considerados como Clássicos do Planeta.

Analise do BRM M3

A BRM – Um Pouco de História

Em 1969, quando os buggies apareceram no Brasil, Roberto Oscar Martini e outro sócio, montaram a BRM Buggy Rodas e Motores Ltda. Instalava-se em São Paulo uma das mais tradicionais empresas de buggies no Brasil, inicialmente  para montar buggies a partir de kits das empresas Glaspac e Bugre. Daí nasceram os modelos M1 e M2, “pseudônimos” destes buggies fabricados por terceiros. 

Mas era preciso evoluir e esta mudança veio logo. Em 1973, depois de já ter montado e vendido , segundo a Lexicar, mais de 1500 buggies, a BRM lançou seu primeiro modelo, projetado e fabricado por eles.  A BRM não fabricou kits para venda, mantendo a montagem sempre na indústria, aproveitando-se do know how desenvolvido. Mas aceitava que o cliente levasse o carro doador ou fazia a venda de carros já montados, utilizando-se, como os outros, de mecânica recondicionada. Em 1977, a BRM passou a utilizar um chassi próprio, incorporado à estrutura da fibra, o que possibilitou o licenciamento como veículo novo, à época.

O que o Planeta apresenta mais adiante, é  a Análise do BRM M3 e seus sucessores M4 e M5, primeiros modelos desenvolvidos pela Empresa e que trouxe inovações em termos visuais, em relação aos concorrentes e parceiros. O M4 inovou com o santoantônio em fibra e com a abertura do capô dianteiro, enquanto o M5 era apenas um pouco mais despojado, com o santoantônio em tubos e acabamento mais simples. No restante, são praticamente o mesmo modelo. Mas estes não usavam mais a antiga plataforma do Fusca e sim um chassi tubular incorporado à carroceria, como o “plasteel” do Gurgel.

Na foto a seguir, Sr. Roberto, na Espanha, em uma das exportações da BRM. Buggies para o mundo!

Roberto Martini na Espanha
Sr. Roberto Martini, acompanhando na Espanha, uma exportação de buggies BRM

A BRM realizou várias exportações, inclusive para Cuba e para o Oriente Médio. As fotos a seguir mostram a fábrica em dois momentos, em seu início e durante o período de exportação, provavelmente meados da década de 80.

Análise do BRM M3

A Carroceria

O M3 é um buggy obviamente inspirado no Manx e em seus clones brasileiros da época, o Glaspac e o Bugre II. O M3 manteve o mesmo desenho básico de carroceria e capô em peças separadas, mas inovou no acesso ao motor, implantando uma pequena portinhola na traseira, sem que isso ficasse esquisito no desenho. Uma solução muito bem projetada e que foi seguida por muitos modelos posteriores. É bom ressaltar que esta solução já tinha saído no Kadron. Este modelo também tem o protetor de polia original, que encontramos nos modelos Glaspac e Bugre II. As sinaleiras não são as originais, mas ficou com um visual muito melhor!

Análise do BRM M3 - capô do motor
Pequeno capô do motor

Como nos seus pares, Glaspac e Bugre II, a carroceira do M3 era fabricada em peça única, na qual era acoplado o capô, as laterais e, neste modelo, o pequeno capô do motor. Como nos outros, não havia a abertura do capô dianteiro e o abastecimento do combustível era feito pelo bocal externo, aparente. No modelo M4, posterior, o capô passou a ter a abertura para estepe de pequenos objetos, além do bocal do abastecimento ficar oculto.

Com o aprendizado na montagem dos buggies agora concorrentes, a BRM pegou o que tinha de melhor neles, para colocar em seu próprio modelo.

O banco traseiro, por exemplo, teve seu espaço igualado ao do Bugre II, com um pequeno porta-treco atrás do encosto. As laterais eram bojudas como as do Glaspac mais recente. No painel, uma abertura para objetos como no Bugre II. Também houveram inovações, como o acesso ao motor já referido e um santoantônio mais elaborado, com canos duplos e melhor ancorado na carroceria. Posteriormente, foi criado um santoantônio de fibra de vidro aparafusado na carroceria, ao contrário do Kadron, por exemplo, que era incorporado à carroceria.

Abaixo, um M4 pintado pelo incrível Sid Mosca. O parabrisa rebatível, o santoantônio com seu desenho inconfundível e o portamalas com abertura. Para o Planeta Buggy, este é o BRM perfeito, que mantém a proposta original do Dune Buggy, aliado a um acabamento primoroso e uma pintura incrível. Onde andará este buggy, atualmente?

Buggy clássico - BRM
BRM pintado por Sid Mosca

Lateral

Na lateral do BRM M3 e M4, destacam-se os “side pods” ou saias laterais bojudas, com o nome da Empresa estampado nos modelos M4 em diante. Estas laterais eram aparafusadas na carroceria, como os modelos Glaspac pós-72.

O santoantônio que aparece neste modelo, foi lançado no modelo M4 e permaneceu, como opcional, no M5. Era uma peça aparafusada à carroceria, com um desenho que lembra a targa do Kadron, o primeiro buggy a ter santoantônio de fibra, no Brasil, com a diferença que, No Kadron, era incorporada à carroceria.

Estes modelos foram produzidos até meados de 1983, quando foi feita uma grande atualização visual, com o lançamento do M6 e do M7. Mas isso não é nosso foco neste post.

As linhas deste modelo são muito fluídas em seu contorno, observando-se, no final do paralama traseiro, uma elevação que virou uma característica de praticamente todos os futuros modelos BRM, como se fosse um spoiler. Este desenho permitiu o uso de lanternas maiores e mais próximas das laterais.

Análise do BRM - M4
M4 do Luciano Mochiuti

A Frente

Como todos os buggies estilo californianos fabricados no Brasil naquela época, o BRM também usava os faróis de equipamento agrícola, parachoques de tubos e abastecimento direto no capô, sem abertura de portamalas.

O modelo seguinte, M4, lançado em 1978, fez o portamalas e criou uma saliência no capô, que permitiu o uso de estepe naquele local. Inclusive, no lançamento do modelo, no Salão do Automóvel, era apresentado como o único buggy que tinha espaço para o estepe.

A BRM modificou a frente de seu buggy muitas vezes, mesmo quando manteve o restante da carroceria praticamente sem alteração. Assim, no M7, que manteve os faróis salientes e capô sem abertura, o formato era bem mais quadradão.

O Planeta elegeu os modelos M3 e M4 como os mais bonitos da marca.  Não por acaso, estes modelos foram clonados e são fabricados até os dias de hoje, com algumas alterações.

A BRM também inovou no detalhe do parabrisa rebatível sobre o capô, que existia apenas nos Gurgel, mas não nos buggies da época.

Os faróis, como no Glaspac, são apoiados em suportes moldados na própria fibra dos paralamas.

Analise do BRM
BRM - Marcelo

O Painel

Desde este primeiro modelo desenvolvido pela Empresa, o painel manteve-se, na meioria dos modelos, exatamente na frente do condutor, ao contrário da maioria dos buggies de então, que tinham seus instrumentos no centro do painel.

Esta foi uma opção interessante, pois permite a consulta dos instrumentos, sem movimentar a cabeça, apenas os olhos, reforçando a atenção para a trilha.

Neste modelo, havia uma saliência no painel, concentrando os instrumentos mais próximos do condutor. Claro que esta conformação impedia a colocação de novos instrumentos no mesmo painel, mas isso, em um veículo despojado como o buggy, não deveria ser um grande problema. No exemplo a seguir, o M3 do Bruno Costa, que está na página antiga do Planeta Buggy, com instrumentos originais na frente do motorista e mais alguns no painel central.

Analise BRM M3 - painel
Painel do M3

Publicidades

Durante estes mais de 50 anos, a BRM fez vários panfletos e publicidades. Não é tarefa fácil encontrar, mas algumas estão a seguir

Conclusão do Planeta

O BRM M3 é um dos mais belos buggies já fabricados no Brasil. Suas linhas simples, mas ao mesmo tempo suaves, formaram um conjunto muito harmonioso, com soluções de produção e de estilo que se preservam até os dias atuais.

Este modelo sofreu algumas melhorias no estilo pelo saudoso Zu, paulista que produziu o Zuggy, um buggy que é muito apreciado pelos paulistas, pois foi desenvolvido para ser um “street buggy” em sua essência. O santoantônio em formato mais adequado ao desenho do buggy é a principal modificação.

O Zuggy foi relançado pela FerCar sob o nome de Naja One. Um destes, está na Garagem do Planeta e pertence ao Chevas. Uma das fotos está a seguir. Veja as outras lá na Garagem.

Naja One do Chevas
Naja One do André Lehn "Chevas"

Outros Modelos

A BRM seguiu fabricando outros modelos depois desta série, como podemos ver nas fotos a seguir. Não estão todos os modelos fabricados pela BRM, pois muitos tinham pequenas alterações e não foram “batizados” com uma sigla.

Mas, para o Planeta, o M3 e o M4 serão sempre os mais bonitos de todos os modelos já fabricados por eles.

Colaboraram neste post: Luciano Mochiuti, Roberto Lee, Irmãs Martini

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7 Comentários
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Marlon

Ficou ótimo Carlão, meus parabéns!!

Marlon

Emis…..no que eu puder contribuir, tô aqui!

Roberto Lee

Parabéns “Tchêfe” Carlos Silva, ficou ótimo. Adorei ver minha foto e meu nome como colaborador! “Juntos somos mais fortes”

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